Curitiba - O procurador Dartagnan Cadilhe Abilhôa, coordenador da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), órgão vinculado ao Ministério Público (MP) estadual, diverge do advogado criminalista Mattar Assad sobre os mandados de busca e apreensão. De acordo com ele, os mandados precisam ser genéricos porque as autoridades policiais nunca sabem o que poderão encontrar para embasamento das investigações. ''Os mandados são genéricos porque a autoridade policial trabalha com hipóteses mil. Têm que se olhar tudo. É uma busca por provas. Tem que se revirar do vaso sanitário até os computadores para se ter suficientes fundamentos de que é possível que a pessoa esteja praticando crime. A polícia não tem bola de cristal para saber onde está a prova'', ponderou.
O fato de muitas prisões serem revogadas no andamento do processo, de acordo com Abilhôa, não significa que as provas produzidas não tenham sido suficientes. ''A defesa nesse período também vai produzindo provas para que a pessoa seja solta. Pesa sempre o fato para o juiz de que a pessoa tem residência fixa, patrimônio e que não vai fugir durante a instrução do processo. Também se solta o preso quando ele não mais poderá interferir na produção de provas, nem incomodar testemunhas, a não ser que seja fato de comoção popular'', analisou o procurador.
Abilhôa considerou que as portarias baixadas pelo Ministério da Justiça não irão interferir na produção das provas. Apenas vão acabar com o alarde que era feito pela Polícia Federal. ''As operações eram didáticas, no sentido de se fazer alarde para ter efeito exemplar. Entretanto, esbarravam na presunção de inocência. Não se pode expor pessoas'', disse ele. (L.P.)

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