A cooptação do policial civil André Luís Santelli e, posteriormente, de seu irmão Paulo Henrique Santelli, funcionário da Receita Estadual de Londrina, é o objeto da segunda ação por improbidade administrativa contra auditores acusados de integrar um esquema criminoso de arrecadação de propina e sonegação fiscal. A ação foi protocolada no último dia 22 e tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública. O juiz Marcos José Vieira ainda não apreciou o pedido de liminar de indisponibilidade de bens dos nove réus no montante de R$ 229 mil.
Além dos irmãos Santelli, são acusados de improbidade todos os auditores que direta ou indiretamente teriam contribuído para a cooptação do policial: o ex-inspetor geral de Fiscalização da Receita do Paraná Márcio de Albuquerque Lima e sua mulher Ana Paula Pelizari Marques Lima, os ex-delegados de Londrina Dalton Lázaro Soares e José Luiz Favoreto (que está preso em decorrência da terceira fase da Operação Publicano), os irmãos Luiz Antonio de Souza e Rosângela Semprebom, ambos delatores do esquema, além de Marco Antônio Bueno, que seria o contado de Santelli.
Os fatos narrados na ação civil pública já constam da denúncia relativa à primeira fase da Publicano, que tramita na 3ª Vara Criminal de Londrina. Resumidamente, Santelli recebeu dos auditores, a partir de 2014, cerca de R$ 3 mil mensais – durante pelo menos sete meses – para fornecer informações privilegiadas sobre as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) começava a fazer sobre o esquema criminoso. Para isso, Santelli acabou chegando a um policial do Gaeco que, após autorização judicial, passou a agir como agente infiltrado. Paulo Henrique acabou envolvido porque aceitou representar o irmão em encontro com o agente infiltrado.
"Estabelecida a organização criminosa, ao menos a partir de junho de 2014, seus membros engendraram audaciosa estratégia para resguardar as ações criminosas praticadas pelo referido grupamento criminoso, consistente na cooptação dos agentes públicos André Luis Santelli, policial civil, e seu irmão Paulo Henrique Santelli, funcionário da 8ª Delegacia Regional da Receita de Londrina", escreveram os promotores Renato de Lima Castro (de Defesa do Patrimônio Público), Jorge Barreto da Costa e Leila Schimiti (ambos do Gaeco).
Os promotores, que não foram localizados ontem, pedem, na ação, que Santelli devolva os valores que recebeu dos auditores como pagamento pelas informações privilegiadas (R$ 22,9 mil, corrigidos) e indenização por dano moral difuso no valor de nove vezes o que foi pago de propina ao policial.

PRIMEIRA AÇÃO


A primeira ação de improbidade foi ajuizada há duas semanas e envolve 44 pessoas e empresas ligadas ao setor de vestuário, incluindo 26 auditores e o empresário Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB), apontado como líder político do esquema. O juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública deferiu o pedido de bloqueio de bens até o valor de R$ 1,4 milhão de cada requerido.
A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público decidiu "fatiar" as ações por improbidade relativas à investigação da Publicano com objetivo de acelerar a tramitação dos processos, que terão menor número de réus. Em razão disso, os promotores preparam novas ações sobre outros fatos investigados nas três fases Operação, que foi deflagrada em março.

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