A recém-criada Cooperativa Regional de Coleta Seletiva e Reciclagem da Região Metropolitana de Londrina (Cooprelon), contratada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para fazer a coleta seletiva em 95 mil domicílios da cidade - ao custo semestral de R$ 1,4 milhão -, estaria funcionando de maneira irregular através de uma ''parceria'' com a empresa Supra Clean, que receberá mais da metade do valor do contrato e tem interesse direto no lixo reciclável, já que 99% de sua matéria-prima é material reaproveitável.
Pela lei federal 11.445/2007 (Lei Nacional do Saneamento Básico), somente cooperativas de catadores de baixa renda podem firmar contrato com o poder público para coletar lixo reciclável. No alvará de funcionamento da Cooprelon expedido pela Secretaria de Fazenda e obtido pela FOLHA, o endereço eletrônico e o telefone são da empresa Supra. A Cooprelon, que foi fundada em junho deste ano, tem seu barracão de reciclagem em Cambé, na PR-445, cujo aluguel é pago pela CMTU sem contrato.
Além disso, os dois principais dirigentes da cooperativa - o presidente, Maurício Aparecido Montezini, e o diretor administrativo-financeiro, Erlandes Antonio dos Santos Silva - não são catadores de baixa renda, ao contrário do que determina a Lei Nacional do Saneamento Básico.
Parceria
A Supra cedeu gratuitamente dois caminhões para que, antes da assinatura do contrato com a CMTU, a cooperativa pudesse começar a coletar o material reciclável e, agora, com a viabilização do acordo com o poder público, a Supra vai comprar todo o plástico recolhido pela cooperativa.
O dono da Supra, Marcos Puertas, disse que ''uniu o útil ao agradável'', já que a empresa fabrica materiais de limpeza, como vassouras e rodos, a partir de plástico reciclável, como PET e PAD (plástico de frascos de detergente, por exemplo). ''Nesse período, nós cedemos os caminhões sem receber um centavo por isso. Agora, com o contrato entre a CMTU, vamos fazer o transbordo (transportar o lixo reciclável para o barracão de triagem) e vamos receber da cooperativa'', admitiu Puertas. A verba para o transbordo prevista no contrato é de R$ 63 mil.
A Supra também pretende alugar, em seu nome, o barracão onde será a sede definitiva da Cooprelon, na Avenida Tiradentes, onde era a empresa Pisos Eliane. O custo do aluguel é de R$ 70 mil mensais, segundo informou o presidente da cooperativa. ''Vamos tentar viabilizar o contrato porque as imobiliárias não alugam barracões para cooperativas de lixo nem para o poder público'', disse o empresário, afirmando que não vê qualquer problema.
Com a ''parceria'', a Supra receberia até R$ 133 mil mensais do contrato com a CMTU. Menos da metade do contrato, que é de R$ 238 mil, ficaria efetivamente com a cooperativa: serão repassados R$ 25 mil para o INSS dos cooperados; R$ 20,9 mil pelas visitas aos domicílios para recolher o lixo; R$ 46 mil por até 650 toneladas de lixo recolhido; e R$ 25 mil para apoiar a continuidade do trabalho da cooperativa.

Imagem ilustrativa da imagem Cooperativa contratada pela CMTU pode estar irregular
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