Cooperativa admite falhas, mas garante solução
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sábado, 16 de fevereiro de 2013
Loriane Comeli <br> <br> Reportagem Local 
O presidente da Cooperativa Regional de Coleta Seletiva e Reciclagem da Região Metropolitana de Londrina (Cooprelon), Maurício Montezini, admitiu ontem quase todas as irregularidades apontadas por auditoria feita pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e garantiu que praticamente todas já foram corrigidas. Ele nega, porém, que haja fraudes, como o uso de notas fiscais ''frias'' para justificar pagamentos. ''Isso nunca ocorreu. Todas as notas que apresentamos são de despesas que efetivamente tivemos'', afirmou Montezini que esteve na FOLHA ontem acompanhado do funcionário administrativo da Cooprelon Erlandes dos Santos Silva.
Há pouco mais de duas semanas, a Diretoria de Operações da CMTU começou auditoria e verificou pagamento irregular aos cooperados, documentação insuficiente dos veículos e dívida de mais de R$ 100 mil, além da suspeita do uso de notas frias. O diretor de Operações, Gilmar Domingues, disse ter ''informações contudentes'' sobre a fraude, mas ainda não tem provas. A auditoria continuará por cerca de 30 dias e o Ministério Público solicitou que a CMTU instaure procedimento específico sobre o caso.
Montenzini disse que dois líderes de barracão da cooperativa efetivamente recebiam salários de R$ 3,5 mil e que os demais cooperados perfaziam mensalmente R$ 600, o que é proibido no sistema de cooperativa, já que os rendimentos devem ser divididos entre todos. ''Corrigimos essas distorções há cerca de dois meses e foi isso o que motivou as denúncias: quem tinha grandes salários ficou incomodado com a redução'', afirmou o presidente, dizendo que essas duas pessoas receberam, nos dois últimos meses, cerca de R$ 800 cada uma.
Montezini, que preside a Cooprelon desde o início, disse que o sistema de pagamento irregular já estava implantando pelas pessoas que fundaram a cooperativa e que só recentemente conseguiu alterá-lo. Quanto ao seu próprio pagamento, ele disse que ''não recebo salário''. ''Tenho uma ajuda de custo que é de cerca de R$ 1,2 mil mensais.'' Os funcionários - não cooperados - recebem salários de pouco mais de mil reais.
Quanto aos cinco veículos que funcionavam sem licenciamento ou bloqueados judicialmente, Montezini afirmou já ter solicitado a regularização aos proprietários, que os locam para a cooperativa. ''Já está praticamente tudo resolvido.''
A dívida da Cooprelon chega a R$ 80 mil, segundo Montezini. O montante se acumulou em razão da diminuição de domicílios em relação ao primeiro contrato (em dezembro de 2011) e porque recursos repassados pela CMTU eram utilizados para o pagamento de salários, quando os cooperados deveriam receber exclusivamente do rateio da venda dos recicláveis. Porém, afirmou Montezini, o principal motivo do débito é a falta de produtividade. ''Os cooperados estão produzindo pouco talvez porque recebessem o salário fixo. Têm que entender que quanto mais produzem, mais vão ganhar.''
O presidente disse que depois do corte do salário fixo, os rendimentos dos coletores caíram para cerca de R$ 450. ''Temos muitos problemas internos, como faltas constantes ao trabalho, pessoas viciadas em drogas e álcool, com familiares presos. É muito difícil e não temos apoio de ninguém.''
A CMTU repassa mensalmente à Cooprelon cerca de R$ 200 mil para a coleta dos resíduos recicláveis em 77 mil domicílios.


