Cooperados querem manter convênio
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terça-feira, 23 de janeiro de 2001
Emerson Cervi De Curitiba 
Cerca de 150 associados da Cooperativa de Trabalhadores Autônomos de Curitiba (Cosmo) fizeram ontem pela manhã uma manifestação em frente ao Ministério Público do Trabalho contra a ação civil pública apresentada pelo procurador Jaime José Bílek Iantas. Segundo Iantas, a Cosmo que tem um convênio para fornecimento de prestadores de serviços à prefeitura está irregular e precisa ser fechada. Diretores da cooperativa contestam e ameaçam ingressar com uma ação contra o MP.
Queremos mostrar para o Ministério Público que a cooperativa é legal e não apenas uma intermediadora de mão-de-obra, declarou o presidente da Cosmo, Paulo Cesar Antônio Rodrigues. Desde outubro do ano passado, a Justiça do Trabalho recomendou em primeira instância à prefeitura a suspensão do convênio e o encerramento das atividades da cooperativa. Apesar disso, o prefeito Cassio Taniguchi (PFL) decidiu renovar o convênio até setembro. O convênio foi renovado, mas a qualquer momento a Justiça poderia mandar fechar a cooperativa e centenas de trabalhadores vão ficar sem emprego, afirmou.
A intenção de processar o MP foi decidida durante assembléia geral dos cooperados. Em vez de defenderem os direitos dos mais fracos e oprimidos parecem estar defendendo interesses de algumas grandes empresas que lucrariam muito com o fim de nossa cooperativa, pois, assim, estariam livres para dominar o mercado, elevando os preços e aumentando seus lucros, afirmou.
A procuradora-chefe do MP do Trabalho em Curitiba, Marisa Tiemann, recebeu uma comissão de cooperados. Ela solicitou que a direção da Cosmo entregue a a documentação sobre a contratação, inclusive as atas de assembléias gerais realizadas até o ano passado. A procuradora sugeriu que fossem criados fundos especiais em substituição aos benefícios que os trabalhadores teriam caso a contratação não fosse de cooperados.
A prefeitura contrata atualmente 503 cooperados da Cosmo para serviços como roçagem de terrenos, marcenaria, reparos elétricos e trabalho em escolas e creches municipais. Em média, os salários variam de R$ 250 a R$ 350.
Durante a reunião entre representantes da Cosmo e a procuradora, foi firmado um termo marcando uma audiência entre Iantas e Feliciano Mour, secretário-geral da Social Democracia Sindical (SDS) à qual a Cosmo é filiada. O objetivo é mostrar as modificações que vem sendo realizadas na Cosmo.
Paralelamente às investigações feitas pela Justiça do Trabalho, a parceria da Cosmo com a Prefeitura de Curitiba é apurada pela Justiça comum. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do MP alega que foram movimentados no mínimo R$ 3,1 milhões à revelia da Lei de Licitações, o que seria ilegal.


