Convocação surpreende suplentes
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quarta-feira, 21 de junho de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
É como entrar no jogo aos 45 minutos do segundo tempo. Esse foi o comentário de Jamil Hatti (PPB), ontem de manhã, logo que ele chegou à Câmara para assumir a vaga do vereador Carlos Santa Rosa na votação do relatório que pede a cassação de Belinati. Santa Rosa e Elza Correia foram impedidos de participar da votação por causa de uma mandado de segurança impetrado por Belinati e deferido juiz da 7ª Vara Cível de Londrina. Por isso os suplentes foram convocados.
Apesar da surpresa, Hatti disse que vem acompanhando pela imprensa as investigações na administração de Londrina e que teria condições de votar com toda tranquilidade. Qual o londrinense está ausente de uma coisa tão séria e lamentavelmente triste?, indagou sem declarar o voto. Vou me manifestar no plenário. Mas para esta juventude que está acordando agora, é muito importante a minha participação nessa votação. Hatti declarou ainda ser totalmente favorável ao voto aberto. Para quem não tem o que esconder, não há problema.
O outro vereador por um dia, Francisco Roberto (PT) que substituiu Elza Correia também disse ter sido surpreendido pela convocação mas compareceu à Câmara disposto a participar do process. Talvez não tenhamos outra sessão tão histórica como essa; por isso foi como ganhar na loteria sozinho, comparou.
Ele garantiu também que, apesar de assumir a cadeira na Câmara apenas por uma sessão, estaria preparado para votar. Já fui vereador e tenho acompanhado todo o desenrolar dos fatos. Por isso não vai haver qualquer dificuldade, afirmou. Assim como Hatti, Francisco Roberto também declarou ser favorável ao voto aberto. A população precisa saber como o vereador está votando.
Sobre o fato de ser funcionário da Sercomtel, Roberto disse que não viu qualquer impedimento em participar de uma votação contra Belinati. Grande parte do dinheiro desviado da prefeitura teria origem justamente na venda das ações da telefônica. Sou funcionário de carreira, com 25 anos de serviço, e sempre lutei inclusive para que não houvesse a venda da Sercomtel. Isso não impede meu voto.
Antes da posse de Francisco Roberto, o advogado Mauro Viotto destacado para defender Belinati na sessão chegou a questionar se ele teria se licenciado da Sercomtel, supostamente por ser funcionário público, para assumir a cadeira na Câmara. O vereador explicou, por meio da procuradoria jurídica, que a Sercomtel é uma S.A. e que portanto não existe impedimento legal.


