Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que espera que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos chame um ''bingueiro'' para depor. Lula reagiu com irritação à decisão da CPI de fazer uma acareação entre o chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e João Francisco e Bruno Daniel, irmãos do prefeito de Santo André, no Grande ABC (SP), Celso Daniel, que foi assassinado.
No Ministério das Relações Exteriores, o presidente demonstrou a contrariedade. No momento em que chegava ao Itamaraty para um almoço oferecido ao presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, Lula sugeriu que a comissão vai além das atribuições. Sobre se a CPI desviaria o foco principal de apuração, ele avaliou que a resposta deveria ser dada pelos parlamentares da comissão. ''É preciso perguntar para os deputados e senadores'', disse. A CPI, no entanto, é somente do Senado.
Ex-seminarista e amigo dos tempos de sindicato, Carvalho é um dos assessores mais próximos a Lula. No governo, cuida, por exemplo, da agenda presidencial, que inclui viagens, audiências e reuniões. A convocação do chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, segundo auxiliares, é avaliada pelo presidente como uma provocação.
Um dos poucos ''homens do presidente'' com bom relacionamento com o corpo administrativo e bem conceituado por funcionários de carreira da administração federal, Carvalho mantém hábitos simples no Poder Executivo. Antes da crise, almoçava, rotineiramente, no restaurante do anexo, frequentado por funcionários públicos federais.
Criada para apurar a utilização de casas de bingos para a prática de crimes de lavagem de dinheiro, a comissão presidida pelo senador pefelista Efraim Morais (PB) tem focado seus trabalhos em supostos esquemas de corrupção em prefeituras petistas, como Ribeirão Preto e Santo André.

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