O prefeito eleito Antonio Belinati (PDT) deu mais uma cartada no jogo que pretende fazer seu grupo ganhar a presidência da Câmara e ampliar o bloco de sustentação: ele convidou o vereador reeleito Moysés Leônidas (PDT) para assumir a secretaria de Administração no lugar do promotor José Araídes Fernandes, que não foi liberado pelo Conselho Superior do Ministério Público. Se Leônidas aceitar a indicação, Belinati garante mais apoio para seu bloco de sustentação. Hoje ele contabiliza nove vereadores, mas precisa de 11 para garantir a presidência a Jorge Scaff (PDT). O prefeito eleito também neutraliza um foco de dissidência em seu grupo - o próprio Leônidas, que não concorda com a indicação de Scaff e articula o que chamou de ‘‘terceira via’’, para disputar a presidência da Câmara.
A saída de Leônidas da Câmara também abriria uma vaga para Jaci Aguiar (PDT), que não conseguiu se reeleger. Ele é suplente de Leônidas e amigo de Belinati há 36 anos. Aguiar foi ‘braço direito’ de Belinati na campanha e compôs, junto com Leônidas, a chamada ‘tropa de choque’ da corrida eleitoral.
Agora, Moysés Leônidas mudou o tom do discurso e amansou as críticas ao prefeito eleito, a quem, até a semana passada, culpava de estar preterindo um ‘‘companheiro de mais tempo’’ (ele próprio) em favor da candidatura de Scaff. O vereador reeleito ameaçava até romper com a coligação, caso Belinati não mudasse de posição. Ontem, ele disse considerar o episódio ‘‘superado’’. ‘‘Ele está insistindo para eu participar da administração. Além do mais, não se confunde amizade com política partidária’’, afirmou.
Leônidas irá dar a resposta hoje e faz suspense. ‘‘Estou muito honrado, já que a Secretaria de Administração pode ser considerada a mais forte. Mexe com licitações, patrimônio, pessoal, frota, oficina mecânica, divisão de material e guarda municipal. Isso valoriza muito o meu passe’’, orgulha-se. Mas ele garante que ainda não desistiu da disputa pela Câmara. ‘‘É meu alvo’’, completa. Ele revela ter tido boas conversas com o que chama de grupo de descontentes e dissidentes, que reuniria insatisfeitos com Scaff à presidência e vereadores que discordam dos nomes indicados para a presidência no grupo de oposição. ‘‘A disputa é difícil e eu não mostro o jogo, mas em política você só não vê vaca voar’’, dispara.

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