Curitiba - A iniciativa do deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) em conversar com o senador Osmar Dias (PDT) sobre o cenário eleitoral de 2010, embora respaldada pelo governador Roberto Requião (PMDB), pode ter iniciado uma crise interna no PMDB. O deputado estadual Nereu Moura (PMDB) disse ontem que conversas do tipo só ''atrapalham'' o processo de candidatura de Orlando Pessuti (PMDB) ao governo do Estado.
''É uma conversa extemporânea, que só cria uma fumaça desfavorável ao processo de candidatura do Pessuti. É notório que dentro do partido há divergências. Então, o processo do Pessuti já é lento. Fortalecer a candidatura dele não é tarefa fácil'', argumentou Nereu. Ele reforça que a conversa entre Osmar e Romanelli não era de conhecimento do partido: ''Uma conversa que não leva a nada e só serve para 'azedar' a situação, criar mais dificuldades ao PMDB. Nós já temos um caminho, que é a candidatura própria''.
Até então, o próprio governador sustentava que não havia qualquer possibilidade de aliança com Osmar. O início de um diálogo com o senador acabou autorizado depois que Requião foi a Brasília para um encontro com o presidente Lula (PT). No Paraná, o petista trabalha para que os partidos que integram sua base de apoio no Congresso Nacional se posicionem em torno do nome de Osmar.
Para o deputado estadual Alexandre Curi (PMDB), a conversa entre Osmar e Romanelli não significa um enfraquecimento da tese de candidatura própria. ''O PMDB trabalha com candidatura própria, mas é possível que seja uma eleição de dois turnos. O PMDB está unido em torno do Pessuti, e o próprio senador sabe disso, mas não vejo problema em conversar com outros partidos'', amenizou.
A conversa não desagradou só os peemedebistas pró-Pessuti. Outra ala do PMDB ainda sustenta a possibilidade de união com o PSDB de Beto Richa, daí a desconfiança em torno da aproximação do PMDB com Osmar.
O PSDB já deu sinais de interesse pelo PMDB para 2010: os tucanos no Legislativo afinados com o governo até anunciaram um rompimento devido aos desentendimentos entre Beto e Requião, mas, na prática, não houve mudança de comportamento na bancada dos ''tucanos de bico vermelho''. O principal nome do PSDB na gestão Requião, Nelson Garcia (à frente da Pasta do Trabalho), também optou por continuar no Executivo, embora tenha ensaiado seu afastamento pró-Beto. Na disputa de 2006, PMDB e PSDB no Paraná só não caminharam juntos devido à interferência da cúpula nacional tucana, cuja negativa acabou sendo aceita pela Justiça Eleitoral.

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