Conversa com Hugo Chávez anima Lula
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domingo, 09 de dezembro de 2001
Luciana Nunes Leal<br>Agência Estado - De Caracas 
Depois de quatro horas de conversa com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o pré-candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, saiu entusiasmado. O petista ficou convencido sobre pontos polêmicos do pacote de leis baixado pelo colega venezuelano. E descobriu opiniões convergentes. Um exemplo: ''Ele pensa o que eu penso. A relação com os Estados Unidos é importante, mas não pode se subordinar. Sem antiamericanismo'', explicou o petista.
Lula e sua comitiva formada pelo governador do Acre, Jorge Viana, e o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque mostravam total entrosamento com Chávez. O petista defendeu o presidente da Venezuela até das acusações de não ter apresentado resultados eficazes, após uma campanha centrada na diminuição da pobreza. ''Como podem exigir que em três anos ele tenha conseguido o que não fizeram em 20 anos?'', questionou.
No lobby do hotel Hilton Caracas, onde esperava na sexta-feira para seguir ao aeroporto e embarcar de volta ao Brasil, Lula citou os ''pontos de convergência'' entre as convicções dos dois. Disse que as crescentes manifestações contra Chávez, que podem levar a uma paralisação de 12 horas, não preocupavam o seu anfitrião. ''Ele dá a isso uma dimensão menor do que a gente. Acredita que a reação é natural, mas está certo que o povo está do seu lado'', comentou.
Para Lula, o clima de agitação na Venezuela trata-se de uma previsível ''reação da elite'', posta diante de um governo voltado para a população sem emprego, sem renda, sem terra. ''Ele tem clareza de sua missão'', acrescentou Cristovam, impressionado com o ''amadurecimento'' de Chávez, que tentou um frustrado golpe de Estado em 1992, foi preso e só em 1998 foi eleito pelo voto, quando promoveu o que chama de ''revolução bolivariana''.
Até um pequeno conselho o líder petista aproveitou para fazer ao presidente venezuelano, durante o almoço na residência oficial La Casona: não aceitar a ''provocação da direita''. ''Eu disse que não é o caminho certo'', relembrou. Sugeriu, ainda, que Chávez escolha um de seus colaboradores para devolver os ataques dos adversários como quem demonstra que tem outras preocupações e um comprometimento com o governo, não com o confronto permanente.
Lula comentou, também, alguns dos pontos que despertaram mais reações negativas do empresariado no pacote de Chávez. Entre eles, a Lei da Terra. ''Não tem novidade alguma, quer produtividade e comprovação da propriedade'', justificou o petista.
O fato de o presidente venezuelano ter recorrido à Lei Habilitante, que permite ao governante decidir sobre pontos cruciais do país, não abalou a admiração que Chávez despertou na comitiva brasileira. ''É como a medida provisória'', ressaltou Cristovam.
Lula ainda recebeu um presente de Cháves: uma réplica em miniatura da espada de Simon Bolívar. A mesma réplica mas em tamanho real foi oferecida ao presidente Fernando Henrique Cardoso. ''Ele disse que presenteia a espada grande aos governantes e que esta pequena era um adiantamento'', brincou.


