Agência Estado
A discussão sobre a miséria foi marcada pela convergência de idéias. Lula lembrou que o PT já havia apresentado a mesma proposta de ACM. ‘‘Se houver uma inflexão no Congresso e os parlamentares resolverem vincular a CPMF ao combate à fome, não tenho dúvida de que o PT apoiarᒒ, disse.
Ele disse que está disposto a debater com o presidente FHC alternativas para acabar com a miséria. ‘‘Se amanhã FHC quiser discutir a fome comigo, vou lá, por que não?’’, afirmou. ‘‘Será que não seria bom trazer para o Brasil o Stanley Fischer para discutir a pobreza’’, ironizou, numa referência ao vice-presidente do FMI.
ACM criticou a elite brasileira, que, em sua opinião, ‘‘não está consciente da necessidade do projeto de erradicação da pobreza’’. ‘‘Esta não é uma luta minha nem de nenhum partido. Vamos nos unir e esquecer, ainda que por um tempo, as diferenças ideológicas.’’
Lula disse que não tem de ser escolhido parceiro para discutir a questão da fome. ‘‘Temos de criar uma polêmica nacional para discutir a questão da fome.’’ A intenção, argumentou, é que a sociedade brasileira, do mais pobre ao mais rico, entenda que acabar com a fome significa um esforço concentrado e sobretudo significa ter consciência que os ricos terão de arcar com a responsabilidade de pagar para acabar com o problema.
O petista finalizou seu discurso ressaltando a importância da democracia e do debate entre políticos de diversas tendências ideológicas. ‘‘Nem o senador me mordeu nem eu o mordi’’, brincou. ‘‘Vamos sair daqui inteiraços e de cabeça erguida porque cumprimos nosso dever de cidadãos’’, disse Lula. (A.E.)

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