Fortaleza - No combate à lavagem de dinheiro, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou ontem que o governo federal traçou uma meta para a assinatura de convênios internacionais de cooperação e que, até o final do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, a idéia é chegar a 50 tratados bilaterais.
''Nós só vamos ter um programa de segurança, um sistema de segurança, um Brasil seguro, quando nós estivermos trabalhando com bastante inteligência e com bastante informação, de uma maneira transnacional, porque o crime é transnacional'', afirmou, em entrevista.
O ministro esteve na abertura da 14 Conferência de Ministros da Justiça de Países Ibero-americanos, em Fortaleza, e aproveitou para trocar experiências com os outros 21 ministros e vice-ministros presentes, para tentar encaminhar novos acordos bilaterais.
''A reunião com os ministros dos demais países mostrou que nossos problemas são idênticos, são extremamente parecidos, do Brasil, da Espanha, do México, do Chile, e as soluções que estão sendo encaminhadas, curiosamente, têm uma sincronia'', afirmou Bastos.
Entre os tratados de cooperação para o combate à lavagem de dinheiro a serem assinados estão um com o Reino Unido, na semana que vem, e outro com a Alemanha, que já está pronto, segundo o ministro. Ele afirmou que também há negociações com países que possuem uma forte legislação de sigilo, os chamados paraísos fiscais. ''Vamos fazer realmente uma rede, porque rede é uma palavra-chave, que define a modernidade, e essa rede vai facilitar muito a luta contra o crime organizado.''
Entre os temas do encontro de ministros de países ibero-americanos está a criação de uma outra rede, esta para a troca de informações jurídicas, para intercâmbio de jurisprudência e outras medidas. Na reunião, também há debates sobre reforma do Judiciário, ampliação do acesso à Justiça e reforma do processo penal.

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