Greca libera verba para fundação presidida por sua mulher e causa estranheza
ArquivoMargarita Sansone: ‘‘Por acaso sou presidente da Fundação’’O Ministério do Esporte e Turismo firmou um convênio com a Prefeitura de Curitiba, através de sua Fundação Cultural, que prevê o repasse de R$ 600 mil para as comemorações dos 500 anos do Brasil. O convênio foi assinado pelo ministro Rafael Greca, pelo prefeito Cassio Taniguchi (PFL) e pela presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Margarita Sansone, mulher de Greca, e publicado no Diário Oficial da União no último dia 19. A existência do convênio, porém, só foi revelada anteontem pelo jornalista Ricardo Boechat, de ‘‘O Globo’’, e causou estranheza em algumas lideranças do Paraná.
Um deputado, que pediu para não ser identificado, fez até piada: ‘‘Imagine se o Pedro Álvares Cabral tivesse aportado em Curitiba’’, ironizou. ‘‘É um espanto’’, definiu o deputado Padre Roque (PT). ‘‘Parece que estamos nos tempos dos sultões da Pérsia: tudo para os amigos e nada para os inimigos’’, criticou.
Já o deputado federal Luciano Pizzatto (PFL) disse que ‘‘pouco importa o nome da pessoa que vai geri-lo’’, referindo-se a Margarita. ‘‘Se bem usados e fiscalizados, nome não tem importância’’. Para ele, as lideranças sempre criticaram os ministros do Paraná pela falta de apoio ao Estado. ‘‘Seria incoerência criticar alguém (o ministro) que está conseguindo transferir os poucos recursos que têm para o Paranᒒ, emendou.
Procurado pela Folha, Rafael Greca disse ontem por telefone, do Rio, que foi alertado por sua assessoria de que o convênio ‘‘ia dar incompreensão’’. ‘‘Consultei os ministros que integram a comissão dos 500 Anos e o próprio presidente Fernando Henrique. Seria uma pena perder o que a Prefeitura de Curitiba pode oferecer’’. ‘‘Estou até dando pouco para o Paranᒒ, completou.
Segundo ele, a Bahia está recebendo R$ 20 milhões. ‘‘Ainda hoje (ontem) demos R$ 2,3 milhões para o Clube Naval do Rio’’, explicou. O dinheiro será para a conclusão das obras de construção da Nau Capitânia, uma réplica das caravelas comandadas por Cabral.
Margarita Sansone reagiu indignada às críticas. ‘‘Eu que pensava que os antropófagos que comeram o bispo Sardinha haviam acabado, mas tem também no Paraná. É uma antropofagia tardia’’, criticou. Ela disse que ‘‘por acaso’’ é a presidente da Fundação Cultural que mandou a Brasília uma exposição sobre a história etnográfica e fotográfica do Brasil e vai garantir aos integrantes da Orquestra e do Coro da Camerata Antiqua de Curitiba a ida deles à Itália para um concerto. ‘‘Por que esconder o Paraná? Por que só o Rio e São Paulo?’’
Ela disse que, como presidente da Fundação, será apenas a ‘‘prestadora de serviço’’. Margarita disse que a metade do dinheiro do convênio deveria chegar ontem a Curitiba e seria investida no pagamento de despesas com o transporte da exposição a Brasília e a outros estados. O recurso também será usado para pagamento da viagem dos músicos curitibanos à Itália, num concerto dos 500 anos. (P.Z)

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