Apesar da desmobilização da população, em meio à Copa do Mundo, e da indefinição dos grandes partidos, ainda confusos pela verticalização das coligações, começam hoje as convenções que vão oficializar os primeiros candidatos para as próximas eleições. Nesta semana, Lula (PT) e Ciro Gomes (PPS) terão suas candidaturas homologadas. Na próxima, será a vez do PSDB e do PMDB, mas os objetivos dessas reuniões são mais legais do que políticos e os resultados – com exceção do já tradicional racha entre peemedebistas – terão menos efeito na sucessão do que qualquer pesquisa eleitoral no mercado financeiro.
Se as convenções quase sempre foram mera formalidade, desta vez estão ainda mais esvaziadas pela verticalização imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a obrigação de seguir nos Estados a mesma coligação nacional, pela primeira vez partidos grandes, como o PFL e o PPB, ficarão de fora da disputa presidencial.
Além dessas siglas, que preferiram ficar livres para as disputas estaduais e proporcionais, PL e PMDB também podem ficar ausentes da eleição mais importante. E mesmo que o PL acerte com o PT de Lula e o PMDB feche a coligação com o PSDB de José Serra, em vários Estados essa aliança será desobedecida. A verdadeira ‘‘salada’’ partidária nas disputas regionais não é uma novidade. O problema é que, desta vez, muitas serão clandestinas.
‘‘Na última eleição, o PSDB apoiou o PT no Acre, mas era uma aliança formal e pública’’, cita o cientista político do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Jairo Nicolau. ‘‘Agora, tudo será feito por baixo do pano e o eleitor não terá segurança, porque vai votar em alguém sem saber quem, de fato, está apoiando o candidato.’’
Essa é a mesma avaliação do cientista político Sérgio Abranches. ‘‘A verticalização impediu a maioria das coligações presidenciais e inviabilizou, por exemplo, a coabitação de PSDB, PMDB e PFL no plano nacional.’’ Sem essa composição no governo, adverte ele, as consequências serão imprevisíveis. ‘‘Como a correção de forças no Congresso não deve se alterar, a barganha será inevitável’’, prevê Abranches.
Também de olho no próximo governo, Nicolau se diz preocupado com três constatações: as principais candidaturas presidenciais nunca estiveram tão sozinhas, nunca foram tão enviesadas para um só lado (todos são de centro-esquerda) e também nunca estiveram tão divorciadas das eleições proporcionais.

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