Convenção do PFL decide apoiar Maluf
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domingo, 14 de junho de 1998
Luiz Augusto Falcão Agência Estado 
Arquivo FolhaAcertoPaulo Maluf terá reforço do PFL paulista, que aprovou apoio numa tumultuada convençãoO PFL vai mesmo apoiar o candidato do PPB ao governo paulista, Paulo Maluf. O acordo, que já estava acertado entre os dois partidos, foi aprovado oficialmente ontem durante a convenção do PFL, em São Paulo. Dos 644 votantes, 393 optaram pela coligação com Maluf e 234 defenderam a candidatura própria do único nome que se apresentou: o ex-deputado Agripino Lima. Houve 13 votos em branco e quatro nulos.
A aliança aprovada tem o deputado Luiz Carlos Santos (PFL-SP) como vice na chapa de Maluf e o ex-ministro pefelista Antônio Cabrera como candidato da coligação para a vaga ao Senado.
O encontro dos pefelistas começou com tumulto, empurra-empurra e ameaças de agressão, logo depois da abertura. Tudo porque o deputado Paulo Lima (PFL-SP), filho do pré-candidato Agripino, envolveu-se numa discussão com os seguranças. Ex-prefeito de Presidente Prudente, Agripino chegou à convenção com um colete à prova de balas. Estou sendo ameaçado de morte, contou. Não sei o que pode acontecer aqui.
Arquivo FolhaAliançaO ex-ministro da Agricultura, Antonio Cabrera, candidato da coligação para o SenadoMesmo antes da abertura das urnas, os eleitores de Agripino já falavam como derrotados e denunciavam fraudes no processo de votação. Segundo Paulo Lima, o deputado estadual Edimir Chedid votou por um delegado. Isso não é uma democracia, é uma esculhambação, disse.
O deputado Luiz Carlos Santos esteve na convenção e repetiu que qualquer resultado seria bom para o partido. Sobre o tumulto inicial da reunião, Santos comentou que esses excessos fazem parte do processo democrático. O senador Romeu Tuma, que chegou a lançar sua pré-candidatura como candidato do PFL, também compareceu à eleição interna do PFL e manifestou apoio à aliança com o PPB. Acho que a eleição do presidente Fernando Henrique Cardoso deve estar acima de tudo, observou, ao justificar sua mudança de posição. A coligação é o melhor caminho para o partido.
Para o ex-ministro Antonio Cabrera, o resultado da convenção foi lógico. Teremos condições de eleger o senador e uma expressiva bancada de parlamentares, comentou. O partido sairá unido e agora nossos adversários são outros. Agripinino acusou Maluf de usar dinheiro sujo para comprar votos de convencionais.
Agripino trouxe sua claque de Presidente Prudente e hospedou delegados da região no Hotel Othon, na Capital. Mas a torcida mais animada era formada por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, que não parou de entoar hinos religiosos e de gritar palavras de ordem em defesa de Maluf e do candidato a deputado estadual Márcio Araújo. Louvações a Jesus eram intercaladas com o Ah, eu tô Maluf, criado pelo publicitário Duda Mendonça. Os pefelistas da Igreja Universal também se apropriaram do refrão: O povo unido jamais será vencido, típico dos partidos de esquerda.
O derrotado, Agripino, não resolveu se recorrerá do resultado da convenção. Seu advogado, Alberto Rolo, adiantou que houve algumas irregularidades. O edital que convocou a convenção não se referia explicitamente à candidatura de Agripino Lima. De acordo com Rolo, as cédulas de votação foram impressas de anteontem para ontem. As anteriores não traziam o nome do ex-prefeito de Presidente Prudente.


