Arquivo FolhaAcertoPaulo Maluf terá reforço do PFL paulista, que aprovou apoio numa tumultuada convençãoO PFL vai mesmo apoiar o candidato do PPB ao governo paulista, Paulo Maluf. O acordo, que já estava acertado entre os dois partidos, foi aprovado oficialmente ontem durante a convenção do PFL, em São Paulo. Dos 644 votantes, 393 optaram pela coligação com Maluf e 234 defenderam a candidatura própria do único nome que se apresentou: o ex-deputado Agripino Lima. Houve 13 votos em branco e quatro nulos.
A aliança aprovada tem o deputado Luiz Carlos Santos (PFL-SP) como vice na chapa de Maluf e o ex-ministro pefelista Antônio Cabrera como candidato da coligação para a vaga ao Senado.
O encontro dos pefelistas começou com tumulto, empurra-empurra e ameaças de agressão, logo depois da abertura. Tudo porque o deputado Paulo Lima (PFL-SP), filho do pré-candidato Agripino, envolveu-se numa discussão com os seguranças. Ex-prefeito de Presidente Prudente, Agripino chegou à convenção com um colete à prova de balas. ‘‘Estou sendo ameaçado de morte’’, contou. ‘‘Não sei o que pode acontecer aqui’’.
Arquivo FolhaAliançaO ex-ministro da Agricultura, Antonio Cabrera, candidato da coligação para o SenadoMesmo antes da abertura das urnas, os eleitores de Agripino já falavam como derrotados e denunciavam fraudes no processo de votação. Segundo Paulo Lima, o deputado estadual Edimir Chedid votou por um delegado. ‘‘Isso não é uma democracia, é uma esculhambação’’, disse.
O deputado Luiz Carlos Santos esteve na convenção e repetiu que qualquer resultado seria bom para o partido. Sobre o tumulto inicial da reunião, Santos comentou que ‘‘esses excessos fazem parte do processo democrático’’. O senador Romeu Tuma, que chegou a lançar sua pré-candidatura como candidato do PFL, também compareceu à eleição interna do PFL e manifestou apoio à aliança com o PPB. ‘‘Acho que a eleição do presidente Fernando Henrique Cardoso deve estar acima de tudo’’, observou, ao justificar sua mudança de posição. ‘‘A coligação é o melhor caminho para o partido’’.
Para o ex-ministro Antonio Cabrera, o resultado da convenção foi lógico. ‘‘Teremos condições de eleger o senador e uma expressiva bancada de parlamentares’’, comentou. ‘‘O partido sairá unido e agora nossos adversários são outros’’. Agripinino acusou Maluf de usar ‘‘dinheiro sujo’’ para comprar votos de convencionais.
Agripino trouxe sua claque de Presidente Prudente e hospedou delegados da região no Hotel Othon, na Capital. Mas a torcida mais animada era formada por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, que não parou de entoar hinos religiosos e de gritar palavras de ordem em defesa de Maluf e do candidato a deputado estadual Márcio Araújo. Louvações a Jesus eram intercaladas com o ‘‘Ah, eu tô Maluf’’, criado pelo publicitário Duda Mendonça. Os pefelistas da Igreja Universal também se apropriaram do refrão: ‘‘O povo unido jamais será vencido’’, típico dos partidos de esquerda.
O derrotado, Agripino, não resolveu se recorrerá do resultado da convenção. Seu advogado, Alberto Rolo, adiantou que houve algumas irregularidades. ‘‘O edital que convocou a convenção não se referia explicitamente à candidatura de Agripino Lima’’. De acordo com Rolo, as cédulas de votação foram impressas de anteontem para ontem. As anteriores não traziam o nome do ex-prefeito de Presidente Prudente.

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