Convenção de março vai decidir futuro de Itamar
O pré-candidato à Presidência e ex-presidente Itamar Franco (foto) disse ontem que se os convencionais do PMDB votarem contra a candidatura própria do partido, em março, ele se retira imediatamente da disputa. Para mim, será o fim; eu respeitarei o resultado da Convenção, disse Itamar, ao apontar a conclusão da reunião de 8 de março como um fato político da maior importância, que ninguém segura.
Mas, em seguida, advertiu que responde apenas por si, e não pelos demais presidenciáveis do partido, como o senador Roberto Requião (PR). Para efeito de cumprimento da legislação eleitoral, só a convenção de junho produzirá resultados jurídicos.
Mesmo votando contra a candidatura própria, a derrota da tese não encerra a questão, uma vez que, em junho, o partido poderá apresentar um nome para disputar o Palácio do Planalto. Mas, nos bastidores, até os mais ardorosos defensores do candidato próprio admitem que uma derrota em março praticamente liquida as pretensões dos presidenciáveis do partido.
Os rebeldes, que não aceitam a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, reconhecem que a única hipótese de o candidato próprio ressurgir com força, mais adiante, é a de uma queda brusca na popularidade de FHC, por conta do mau desempenho do governo. O sucesso é solidário, mas o fracasso é solitário, ensina o amigo e ex-ministro de Itamar Henrique Hargreaves.
Itamar almoçou ontem com Fernando Henrique no Palácio da Alvorada, quando apresentou, oficialmente, o pedido de demissão do cargo de embaixador brasileiro na Organização dos Estados Americanos (OEA). Segundo Itamar, foi uma conversa fraterna, na qual os dois evitaram análises políticas. Tudo depende do resultado da Convenção, e o presidente sabe disso; cumprimos o ritual, contou Itamar.
O porta-voz da Presidência da República, embaixador Sérgio Amaral, acrescentou que os dois combinaram uma nova conversa para depois da convenção de março, e que o desligamento do embaixador não se deve ao lançamento da candidatura, pois estava acertado. Segundo o porta-voz, o presidente Fernando Henrique não vê nenhum problema em dois amigos serem concorrentes numa eleição.
Itamar insistiu que não vai trabalhar em favor da candidatura própria. Cada um tem seu estilo, e o meu é o de deixar o partido livre para decidir o que quiser, argumentou, afirmando que uma convenção não é uma eleição primária. Não vou procurar ninguém porque depois, o partido aprova a candidatura própria, e com que cara eu fico?, ponderou.
Em 8 de março, ele ainda estará em Washington, preparando a mudança que deverá ocorrer no fim do mês, embora o prazo legal para o embaixador deixar o posto ser de 60 dias. (AE)





