Convenção antecipa disputa por 2002
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domingo, 16 de maio de 1999
Agência Estado 
Dida Sampaio/AENo páreoLíder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), diz que partido cumpre seu papel de aliado do governo, mas que isso não descarta desejo de ter candidato próprio à sucessão PFL e PMDB não aceitaram cobrança de que devem mais solidariedade a FHCO PSDB bem que tentou cobrar apoio dos aliados ao presidente Fernando Henrique Cardoso e evitar antecipar a discussão sobre a disputa pela Presidência em 2002. Mas a imagem que a convenção do partido provocou no PFL e PMDB foi outra. Na opinião de dirigentes desses partidos, o lançamento, ainda que informal, do governador Mário Covas (São Paulo) como liderança máxima do tucanato e candidato às eleições presidenciais, fez com que os tucanos apenas repetissem o movimento dos aliados do governo - que anteciparam o debate sobre a sucessão presidencial a três anos e meio da eleição.
Não ficou bem para os tucanos esse tipo de apelo, já que criticaram muito o PFL, que foi apenas mais preciso em sua convenção ao aprovar uma moção pela candidatura própria em 2002, observou o vice-presidente nacional do PFL, senador José Jorge (PE).
Para os aliados, o PSDB reforçou a tese de que os partidos, mesmo participando da aliança que sustenta o governo de Fernando Henrique, têm o dever de dar um sinal às suas bases de que cultivam o ideal da candidatura própria em 2002. O fato de termos apoiado um candidato duas vezes não quer dizer que vamos apoiá-lo pela terceira vez, ressaltou o senador pefelista.
O PMDB cumpre seu papel de dar respaldo ao governo de Fernando Henrique, até porque o sucesso desse governo nos beneficia, porque fazemos parte da aliança que o elegeu, avaliou o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA). Mas é inegável o desejo do PMDB de ter um candidato próprio.
Os aliados do PFL e do PMDB também não aceitaram a cobrança de que devem mais solidariedade ao presidente Fernando Henrique Cardoso, feita num discurso enfático do governador Covas. Ao lado de Fernando Henrique, o tucano afirmou, energicamente, que solidariedade não se mede por um risco no Ibope, mas é um traço de caráter.
Podemos dizer com tranquilidade que o PFL nunca faltou com solidariedade ao governo e que, entre os quatro partidos que compõem a base aliada, somos o mais solidário, sustentou o vice-presidente do PFL. Foi um discurso interno, um recado para os próprios tucanos, emendou o líder do PMDB.
Não só o PSDB frisou em suas discussões durante a convenção nacional, como também o PMDB e o PFL confirmam que está nas eleições municipais do ano 2000 o primeiro passo para a definição de como eles vão se comportar no processo sucessório de 2002.
Os partidos têm estratégias comuns para se fortalecerem individualmente rumo à sucessão presidencial: cada um quer preparar as eleições municipais visando lançar candidatos próprios nas grandes capitais e fazer o maior número possível de prefeitos nos municípios de todo o País.
As alianças locais, obviamente, não estão descartadas e vão depender das circunstâncias políticas de cada região. O que deve ser discutido agora é a necessidade de se fazer ou não alianças locais, mas nosso projeto de poder nos leva a buscar lançar candidaturas próprias no maior número de cidades, afirmou o líder Geddel Lima.
O PSDB não ficou para trás nesse projeto. Uma das tarefas da nova direção nacional do partido, composta por cargos com funções temáticas, é monitorar as eleições municipais nas 50 maiores cidades brasileiras. Como não podemos abranger todos os municípios, vamos nos concentrar nas cidades principais, explicou o líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG).
Eleito um dos cinco vice-presidentes da nova Executiva do PSDB, o deputado Alberto Goldman (SP) deverá ser o encarregado da direção tucana para cuidar do processo eleitoral.
Enquanto isso os partidos aliados continuam alimentando suas estratégias eleitorais de dar sobrevida às CPIs instaladas no Senado pelo PFL (CPI do Judiciário) e pelo PMDB (CPI do Sistema Financeiro). Ninguém tem o poder de controlar CPI nem para esfriá-la, nem para esquentá-la, afirmou o líder Geddel, reagindo às impressões tucanas de que a CPI que abriu uma investigação contra o Banco Central está para acabar.
A CPI não morreu e ainda vai longe, advertiu o senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO). Hoje, Siqueira deverá receber do relator da comissão, senador João Alberto Sousa (PMDB-MA), a tarefa de vasculhar os documentos do sigilo bancário dos envolvidos no caso dos bancos Marka e FonteCindam.
Na sua opinião, esta será a conclusão da primeira etapa das investigações que vão continuar pelo desejo inconteste do PMDB e de seu presidente, o senador Jáder Barbalho (PA), responsável pela criação da CPI.


