Arquivo FolhaTema repetidoFHC e Jacques Chirac, na semana passada; pauta da conversa deverá ser repetida a partir de amanhã em LondresO presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitará a viagem ao Reino Unido para voltar a tratar de um tema que o incomoda desde a posse: a absoluta falta de controle sobre o movimento de capitais internacionais. FHC conversou sobre o assunto com seu colega francês Jacques Chirac, no encontro que tiveram na Guiana Francesa, semana passada. Encontrou ouvidos atentos e simpáticos.
Chirac, ao encerrar a reunião de 1996 do G-7, o clube dos sete países mais ricos do mundo, dissera com todas as letras: ‘‘Os mercados financeiros têm uma amplitude e uma força tais que ou se tomam medidas de prudência (a respeito deles) ou pode haver consequências catastróficas’’. Um ano depois, a crise asiática parece dar total razão ao mandatário francês. De fato, o total de dinheiro que cruza fronteiras todos os dias chega a US$ 1,3 trilhão, quase o dobro do que o Brasil produz por ano de riquezas (o seu PIB, Produto Interno Bruto).
‘‘Não há banco central que possa enfrentar essa massa de dinheiro’’, costuma dizer, com razão, Fernando Henrique. FHC já tratou do assunto no Reino Unido, em carta entregue ao então premiê britânico, John Major, na sua primeira visita como presidente, apenas cinco meses após a posse. É óbvio que retomará o tema agora, já com Tony Blair, o novo primeiro-ministro.
O presidente brasileiro qualifica de tímidas as providências que o mundo desenvolvido vem adotando para evitar crises provocadas pela fácil, rápida e imensa movimentação de capitais. Agora, até influentes figuras do mercado financeiro começam a achar que a situação pode fugir ao controle. Robert Hormats, co-presidente de uma grande empresa como a Goldman Sachs International, parece ecoar a frase de FHC sobre os bancos centrais, ao dizer: ‘‘A regulamentação doméstica dos bancos e das bolsas não é páreo para o desafio do ‘hot money’’ (dinheiro quente ou especulativo).
O problema é que ninguém, até agora, conseguiu pôr de pé uma proposta viável de controle do movimento de capitais. ‘‘É uma causa à procura de uma agenda’’, define o embaixador do Brasil em Paris, Marcos Azambuja.

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