Controladoria vai processar servidores da Acesf
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terça-feira, 22 de abril de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Controladoria do Município de Londrina prometeu instaurar hoje processo administrativo disciplinar contra servidores da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) supostamente envolvidos em coação de usuários da autarquia pela compra dos serviços de tanatopraxia (conservação de cadáveres). A garantia foi dada pelo controlador-geral, Mílson Antonio Dias, que - apesar de não citar quantos nem quais servidores já teriam sido denunciados ao órgão da administração direta - admitiu que ''todos os serviços da Acesf'' estão sendo auditados. Também nesse caso Dias preferiu manter sigilo, mas à tarde, na Câmara de Vereadores, a suposta negociação irregular de terrenos nos cemitérios Padre Anchieta, no Jardim Ideal (Zona Leste), e São Pedro, no Centro, foram levadas a plenário como novas irregularidades que estariam no alvo de denúncias encaminhadas a gabinetes por cidadãos comuns. A FOLHA apurou que essa nova frente de apuração contra a autarquia também está na mira do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que desde o início do mês passado analisa o caso Acesf.
De acordo com Dias, os procedimentos disciplinares serão instaurados com base nas denúncias que vêm chegando à própria Controladoria desde que o caso eclodiu na imprensa, semana passada. ''Pelo processo de suposta coação que a pessoa relata, tenho como saber qual o servidor que teria ou não participado disso'', explicou o controlador. Ele destacou que, uma vez comprovado o ilícito do agente público durante o processo disciplinar, o Estatuto do Servidor Municipal prevê penalidades que vão desde a advertência até a exoneração. Em seguida, foi mais enfático. ''Eu mesmo, como funcionário de carreira, estou indignado com as denúncias de que essa prática (suposta coação) teria sido adotada por servidores para que auferissem vantagens'', desabafou, para complementar: ''Tanto que todo o trabalho desempenhado na Acesf, em todos os setores dela ('inclusive os relacionados à diretoria', ele assegurou), estão sob auditoria. Só precisamos resguardar o sigilo para não comprometer o resultado final das investigações''.
Na Câmara, porém, o assunto rendeu, nos bastidores, até mesmo a possibilidade de instauração de uma Comissão Especial de Investigação (CEI). Vereadores de oposição e da base do Executivo na Casa consultados pela reportagem apostam que a especulação só será desfeita amanhã, após a ida do controlador ao Legislativo para falar sobre as investigações. A medida, via convocação de Dias, foi estabelecida em requerimento da Comissão Permanente de Defesa do Consumidor, presidida pelo vereador Jamil Janene (PMDB).
Após lembrar de denúncias contra a Acesf no início da década de 1980, o vereador Antenor Ribeiro (PP) foi direto. ''Por ora vamos esperar para ver o que fala o controlador, mas já temos nos gabinetes denúncias de que terrenos muito antigos nos cemitérios João XXIII e São Pedro, por exemplo, estariam sendo comercializados irregularmente desde 2006 por gente que tem conhecimento da base de dados da Acesf, buscaria procurações para efetuar essas vendas e as faria a preços muito altos a interessados na compra'', disse, para completar: ''Já no (cemitério) Padre Anchieta, as denúncias que chegaram são as de que este ano, mesmo, ruas internas estariam sendo comercializadas como jazigos'', declarou Ribeiro. ''Queremos saber se isso é prática comum, ou se foram situações excepcionais na autarquia.''


