Controladoria poupa Casa Civil em auditoria
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Folhapress 
Brasília - A dois dias da eleição, o governo federal divulgou parte da auditoria nos contratos suspeitos de tráfico de influência que envolveram familiares da ex-ministra da Casa Civil sem apontar como atuaram filhos e irmãos de Erenice Guerra.
A maioria dos casos será auditada depois das eleições. O relatório constata apenas um indício de irregularidade.
Das nove auditorias da Controladoria Geral da União (CGU), quatro foram publicadas ontem e só em um caso foi apontado indício de irregularidade, de R$ 2,1 milhões.
O governo federal analisou os pedidos de financiamento da empresa de energia solar EDRB junto ao BNDES.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, há duas semanas, o representante da EDRB, Rubnei Quícoli, afirmara que o negócio não foi viabilizado por não ter pago a ''taxa de sucesso'' para a empresa do filho de Erenice. A então ministra pediu demissão após a reportagem.
A CGU concluiu, porém, que o financiamento foi barrado por questões técnicas. ''O pleito de financiamento teve o tratamento técnico previsto e o mesmo não foi aprovado por não atender aos requisitos exigidos'', diz a auditoria.
Não foram analisadas pelo órgão suspeitas de tráfico de influência e provas apresentadas por Quícoli, como a troca de e-mails com o ministério e a reunião com Erenice. A CGU diz que não tem poderes para investigar a Casa Civil.
Segundo a Controladoria, há apenas uma ''aparente'' irregularidade de R$ 2,1 milhões envolvendo contratos da editora da Universidade de Brasília (UnB) com o Ministério das Cidades. O irmão de Erenice, José Euricélio, era da direção da editora e trabalhou na mesma época nos dois órgãos.
O governo analisou ainda o processo de compra do remédio Tamiflu, usado pelo governo federal para combater a gripe suína. Segundo a revista ''Veja'', o ex-assessor da Casa Civil, Vinícius Castro, teria recebido R$ 200 mil de propina.
''Sem possibilidade de disputa entre fornecedores, com preços previamente estabelecidos pelo único fabricante, não se vislumbrou qualquer oportunidade para a alegada cobrança de propina'', diz a CGU.
Segundo o órgão, também não foram encontradas irregularidades na contratação sem licitação de escritório de advocacia ligado ao irmão de Erenice. O irmão da ex-ministra não era sócio do escritório quando a firma foi contratada, diz a Controladoria.


