Após seis meses de trabalho, a Controladoria Geral da Câmara de Vereadores de Londrina (CML) aponta em relatório que há indícios de irregularidades na concessão de patrocínio pela Sercomtel entre janeiro de 2011 a maio de 2012. Período este que teve Fernando Kireeff e Roberto Coutinho à frente da presidência da empresa. De acordo com a investigação, a Sercomtel gastou R$ 3.471.007,86 com patrocínios no período. O trabalho de apuração, feito por amostragem, analisou R$ 2.413.916,36 de todo montante. Somente uma das beneficiadas, a SM Sports, recebeu mais de R$ 1,1 milhão.
Segundo o presidente da Câmara, Rony Alves (PTB), o relatório aponta ausência total de contrato em todas as relações de patrocínio e publicidade. "Em todos os processos recolhidos por amostragem constatou-se que houve concessão de patrocínios irresponsáveis – sem qualquer trâmite legal, como edital ou chamamento público - e sem nenhuma prestação de contas dos beneficiados ou fiscalização. Houve casos de entrega de cheque ao portador", afirmou o vereador. De acordo com o controlador-geral do Legislativo, Régis Belizário, a Lei de Licitações não foi levada em conta em nenhum dos casos de concessão.
Conforme Alves, a investigação começou no ano passado e foi concluída em junho último. Apesar disso, o relatório foi divulgado apenas ontem à imprensa. O documento, na época, foi entregue para o Ministério Público, para a Prefeitura de Londrina e para a Sercomtel. A questão dos patrocínios já é tema de uma sindicância aberta pela Sercomtel e também de um inquérito civil que corre no MP.
Christian Schneider, atual presidente da Sercomtel, afirma que todos os patrocínios foram suspensos, em julho, desde que tomaram ciência do relatório. "Na sequência já montamos um grupo de trabalho para avaliar qual seria a conduta da empresa. A primeira medida foi suspender todo e qualquer patrocínio, até mesmo pela falta de recursos, e instituir uma nova política de concessão de recursos para esta finalidade, pois a empresa tem autonomia para regular seus procedimentos, desde que siga algum rito lega da administração pública", esclareceu. A sindicância aberta pela Sercomtel vai apurar os últimos cinco anos.
A reportagem procurou os ex-presidentes Roberto Coutinho e Fernando Kireeff para se pronunciarem sobre o caso. Kireeff, que esteve na diretoria até agosto de 2011, disse que já encaminhou um contraditório ao Tribunal de Contas alegando que não houve qualquer irregularidade em sua gestão. "Durante este período, reduzimos, inclusive, 50% do volume de patrocínios. Os critérios para concessão formal de patrocínios foram os mesmos praticados pela empresa em seus 40 anos. Não concordo que não houve controle ou prestação de contas; sempre tivemos um monitoramento de exposição da marca", defende.
Já o ex-presidente Coutinho, que esteve na diretoria de agosto de 2011 até maio de 2012, disse que se manifestaria apenas por escrito. Em resposta a questões da reportagem, Coutinho respondeu no início da noite esclarecendo que a Sercomtel "utilizou-se de critérios adequados e técnicos, observando-se regras legais e normas internas da companhia, procedimentos indispensáveis para a formalização do repasse de investimentos" e que operações do tipo não estão sujeitas às regras de licitação, segundo definição do Supremo Tribunal Federal.
Coutinho também nega ausência de prestação de contas: "A Sercomtel mantinha área específica com a incumbência de exercer esse controle. E, além do acompanhamento, também os patrocinados comprovavam, através de relatórios, o atendimento às exigências, definidas como contrapartida do investimento".

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