O controlador da Câmara Municipal, José Alfredo de Paula Jr., reconheceu ontem ter devolvido R$ 2 mil por mês de seu salário ao ex-presidente da Câmara Municipal Orlando Bonilha (PR), entre fevereiro e dezembro de 2006. De acordo com ele, a exigência feita pelo ex-parlamentar era condicionada à sua permanência no cargo. Paula Jr. negou, porém, que tenha continuado a repartir o salário com o atual presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB). Ele disse que o valor de seu vencimento líquido mensal chega a R$ 5.800.
  Em depoimento prestado ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na semana passada, Orlando Bonilha disse que a partilha do salário teria se mantido até os dias de hoje.
  ‘‘Isso não é verdade, quando o Sidney entrou ele falou para todos os comissionados que se houvesse repasse, seriam exonerados. Eu permaneci pelo serviço que presto, que sempre foi honesto’’, disse o controlador. Questionado sobre a razão de se sujeitar ao achaque do ex-presidente, disse que era pelo ‘‘status’’.‘‘É um cargo importante, ajuda na carreira. Além disso, você faz compromissos e o salário é maior do que ganhava antes’’. O controlador é contador de carreira e mantém uma empresa do ramo em sociedade com a família.
Ameaça
  Paula Jr. afirmou ter apresentado ontem uma queixa criminal contra o ex-vereador por ameaça à sua integridade física. O controlador afirma que Bonilha disse a um familiar seu, há duas semanas, que se os pagamentos mensais não fossem retomados, ‘‘seria ruim para sua família’’. ‘‘Quando começou esse escândalo na Câmara, em janeiro, eu parei de pagar. Ele vem me cobrando há muito tempo, até chegar essa ameaça’’.
  O presidente da Câmara, Sidney de Souza, negou cobrar repasses mensais do controlador. ‘‘Isso é mais uma mentira desse réu confesso’’, afirmou - em referência a Bonilha. O ex-vereador não foi localizado ontem pela FOLHA para falar sobre a queixa de ameaça - mas no depoimento ao Gaeco negou a denúncia.
  Em 2005, quando o cargo de controlador foi criado, o Ministério Público (MP) fez uma recomendação administrativa para que a função fosse ocupada mediante concurso público. Com a recusa do então presidente Bonilha, a promotoria entrou com ação judicial contra a indicação de comissionados para cargos técnicos na Câmara, incluindo o de controlador, mas até hoje o processo não foi a julgamento.

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