Brasília - No caso do Imposto de Renda (IR), continua Ives Gandra, a União também não ficará com o ''abacaxi'' no colo. ''Ou vão aumentar a CPMF ou descontarão o prejuízo no Imposto de Renda, aumentando a alíquota'', prevê. Para ele, aliás, a própria discussão do IR, suscitada pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, mostra que não há disposição do governo em reduzir a carga tributária. ''O governo sabe que corre um grande risco de perder no Congresso, porque há muitos governadores envolvidos e eles controlam suas bancadas. A solução seria trabalhar com o aumento do IR.''
Amaral concorda, mas adverte que o contribuinte já está no limite. ''Está manifesto que o interesse do governo é aumentar a carga, mas acho que o sistema não aguenta'', alerta ele. ''Ninguém suportaria um aumento da carga tributária numa situação econômica tão adversa.''
Muito melhor, diz ele, seria esperar pela recuperação da economia e só então mexer no bolo tributário. ''Não entendo. Se o texto só promete melhoras para o futuro, quando a economia crescer, porque não esperar até lá para mudar o sistema?'', pergunta Amaral.
Também simples é a proposta de Ives Gandra, para quem a reforma poderia ter apenas dois artigos. ''Um dizendo que todo o incentivo fiscal concedido pelo Estado produtor não será reconhecido pelo Estado consumidor. E o outro exonerando toda e qualquer exportação.'' Mais radical ainda é a proposta de Maria Leonor. ''Bastaria escrever: cumpra-se a Constituição.''

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