Contribuinte paga prejuízo
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sexta-feira, 04 de agosto de 2000
De Curitiba 
Tráfico de influência, contratos assinados sem obedecer regras básicas do sistema financeiro e a irresponsável colocação de valores milionários no mercado formam a receita básica do rombo de R$ 226 milhões da Banestado Leasing, mas que pode chegar a R$ 344 milhões. Em março do ano passado, a Folha noticiou que o Banco Central, atendendo o pedido do promotor Luiz Fernando Delazari, determinou uma devassa nas contas bancárias de Oswaldo Magalhães. Ele era acusado de ter sido o responsável por 25 operações financeiras de risco ao Banestado que, na época, já beiravam os R$ 160 milhões.
O deputado federal Joaquim dos Santos Filho (PFL), pai de Oswaldo, não foi denunciado nas duas ações impetradas pelo Ministério Público federal e estadual. Porém, o parlamentar é apontado como o principal elo de ligação entre a Banestado Leasing e as três empresas de Sergipe que deram o calote de R$ 28,8 milhões na empresa do conglomerado Banestado. Ele só não faz parte das ações porque não teve participação no deferimento das operações de crédito, explicou ontem o promotor Rodrigo Chemim Guimarães.
O empréstimo de R$ 8,2 milhões (valores atualizados em maio e que valiam aproximadamente US$ 3,5 mi em 1995) para a empresa Rápido Laser Ltda. é apontado pelos promotores que investigaram o escândalo como o caso mais grave de contrato feito durante a gestão de Oswaldo Magalhães. Os bens dados como garantia no contrato da operação de leaseback (empréstimo para empresas com disponibilidade de bens mas sem capital) não existiam, o endereço da empresa em Curitiba era o mesmo do escritório jurídico de Santos Filho e a transportadora estava em nome dos laranjas José Edinalvo Morais e Rosa Maira de Andrade Morais (marido e mulher).
O maior absurdo é que a Banestado Leasing foi empurrando com a barriga as renegociações desses contratos e mascarou o prejuízo que não foi pago com dinheiro do além, mas com o dinheiro dos contribuintes paranaenses, emendou o promotor Mateus Eduardo Bertoncini. Ontem os promotores não quiseram divulgar os nomes das outras 30 empresas que estão sendo investigadas por terem cometido irregularidades semelhantes às cometidas pelas três empresas de Sergipe. Em março do ano passado, no entanto, a Folha teve acesso a uma lista com 22 delas que publicamos nesta página.(R.B.N)


