Contribuinte paga,
mas não sabe o
destino do dinheiro
Josoé de Carvalho Dói pagar os impostos municipais, principalmente por não ter a garantia de que esses recursos vão mesmo ser investidos na cidade e não desviados para campanhas eleitorais e outros fins, como a promotoria já constatou. Essa é a opinião de contribuintes ouvidos pela Folha na fila do IPTU na prefeitura, no espaço chamado Pronto Atendimento.
Apesar do nome, o local fecha para almoço – uma folha de sulfite na porta do local informa que o funcionamento vai das 8 horas às 16h55, ‘‘com intervalo para almoço’’.
‘‘É triste pagar porque ninguém sabe para onde vai esse dinheiro. Desanima qualquer um’’. O desabafo é do jardineiro Antônio Carlos da Silva, que mora no Residencial do Café, zona sul de Londrina. ‘‘O prefeito fez coisa boa no bairro. Ele asfaltou o que antes era só lameiro, mas dava para fazer muito mais com o dinheiro que se comenta ter sido desviado. Lá, por exemplo, não tem posto de saúde’’.
‘‘A gente fica surpreso e triste com essas denúncias de corrupção. Quanto dinheiro não poderia ser injetado nos postos de saúde, nos bairros, na educação?’’, questiona, indignado o corretor de imóveis Sérgio Cancian, que, na quarta-feira, foi fazer uma transferência de IPTU de um terreno.
‘‘Sinto revolta, indignação e tristeza de ver Londrina, com tanto potencial, ser jogada às traças e o dinheiro, que deveria estar sendo investido na qualidade de vida, estar sendo desviado’’, desabafou a despachante Deise Bernardi de Almeida (foto). Ela criticou ainda a Câmara de Vereadores, alvo de denúncias de tentativa de extorsão. ‘‘Nós nunca tivemos uma Câmara tão corrupta, tão comprometida’’, criticou.
Para ela é preciso que a população seja mais firme. ‘‘Não basta acompanhar a investigação e deixar tudo por isso mesmo. É preciso deixar a omissão de lado e agir’’, cobrou. (P.Z.)

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