Um dos principais desafios que o novo prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), deve enfrentar a partir do ano que vem é a situação dos contratos sub-rogados – contratos assinados pela Cohab na Caixa Econômica Federal de serviços repassados para outros municípios. Pelo menos é essa a preocupação da equipe de transição que está levantando dados da prefeitura. ‘‘Ficamos preocupados porque a situação é grave. O ideal seria repassar esses problemas para o governo federal e para os municípios, mas há dificuldade para isso’’, lamentou ontem o advogado Wilson Sella, da comissão.
Os contratos sub-rogados foram firmados de 1990 a 1992, quando a Caixa Econômica Federal liberou recursos para construção de casas populares. A Cohab de Londrina acabou ficando responsável pela administração de 4 mil desses contratos, em 28 municípios da região. Mas uma sucessão de problemas, como superfaturamento, fizeram com que a inadimplência alcance hoje o índice de 90%. Tem casa de pouco mais de 20 metros quadrados, por exemplo, onde em geral moram lavradores, em que a prestação é de mais de R$ 120,00.
O diretor executivo da Cohab, Michael Jannani, informou ontem que somente a dívida vencida de prestações dos sub-rogados é de aproximadamente R$ 17 milhões. Se considerar as prestações a vencer, o valor sobe para R$ 120 milhões. A companhia há quase um ano vem tentando repassar a administração para a Caixa, sem sucesso. Como a negociação administrativa não deu resultado, a Cohab já está estudando ingressar na Justiça para se livrar do ‘‘abacaxi’’.
Sella adiantou que nesta semana a equipe pretende se reunir com a Procuradoria Jurídica do município para discutir a situação da Frente de Trabalho e também das ações de execução fiscal propostas pela prefeitura. Por causa do trabalho, ele acredita que todo o levantamento que o grupo pretende fazer só deva ser concluído no início de dezembro, menos de um mês antes da posse de Nedson. Além de Sella, a equipe é composta por Jacks Dias, presidente do diretório do PT, e Dalci Mendes, do PPS.

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