Curitiba - O MP ofereceu denúncia contra sete pessoas vinculadas à Agência de Fomento do Paraná, órgão do governo. Segundo a denúncia –formulada com base em diligências promovidas no decorrer das investigações do caixa 2– a agência teria contratado irregularmente a Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE) para promover a implementação de sistemas de informática por um custo total de R$ 945 mil.
O dinheiro teria sido utilizado pela ABDE, conforme o MP, para contratar as empresas Êxitos Consultores Associados e Favaretto & Pinheiro Assessoria Contábil para prestar serviços para a Agência de Fomento. A Agência de Fomento era presidida na época por Antonio Carlos de Araújo e Mário Lopes Filho, que coordenaram o comitê financeiro da campanha.
As duas empresas contratadas também pertencem a pessoas ligadas ao comitê de Cassio. A Êxitos Consultores Associados pertencia a José Alexandre Forneck, que foi assessor contábil do comitê do PFL, juntamente com o proprietário da assessoria contábil Favaretto & Pinheiro, Davi José Favaretto.
O MP ofereceu denúncia também contra o presidente da ABDE, Oto Jacob, e contra os diretores da agência, Nelson Francisquinho da Silva e Elio Poletto Panato. Pela avaliação dos promotores, a contratação da ABDE deveria ser enquadrada por violar a lei das licitações, que prevê que qualquer contratação acima de R$ 15 mil deve seguir procedimentos legais específicos, a não ser que a empresa contratada tenha qualificação ‘‘notória e inquestionável’’ para realizar o serviço.
Procurado pela Folha, Antonio Carlos de Araújo, disse não acreditar que a Justiça vá acolher a denúncia do MP. Segundo ele, os argumentos carecem de sustentação. Araújo afirma que a ABDE tem a qualificação exigida por lei. ‘‘É uma entidade que congrega e presta assessoria para várias agências de fomento.’’ Araújo confirmou o investimento em informática e disse que o mesmo se justifica pela quantidade de contratos firmados pela agência. ‘‘São cerca de 50 contratos de microempréstimos por dia.’’ O presidente da agência lembrou que o órgão é obrigado mensalmente a prestar suas contas junto ao Tribunal de Contas e Banco Central, razão pela qual não há motivo para o MP desconfiar de sua lisura. (Colaborou Leandro Donatti)

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