Contrato do lixo: empresa pode ter sido favorecida
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de fevereiro de 2012
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
Agentes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) relataram ao Ministério Público (MP) suposto favorecimento da empresa MM Consultoria, Construções e Serviços, da Bahia, antes mesmo do início do governo do prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), em 1º de maio de 2009. Hoje a empresa executa - sem licitação - os serviços de varrição e de coleta do lixo domiciliar, que juntos somam aproximadamente R$ 1,5 milhão mensais.
Dois agentes participaram de uma reunião em abril de 2009 com objetivo de ''fornecer informações gerais sobre a cidade e sobre os serviços de limpeza pública'' e receberam a recomendação vinda de Kentaro Takahara, que havia coordenado a campanha de Barbosa, de ''dar todo o apoio para a empresa''.
A reunião, em um hotel da cidade, teria sido convocada por Kentaro, que após a posse do prefeito assumiu a Secretaria de Gestão Pública, até outubro de 2009, quando passou a presidir o Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel). Em dezembro de 2010 Kentaro deixou o governo alegando problemas de saúde. Também participou do encontro o representante da MM, Raimundo Paiva, e Mauro Viecili, que foi presidente da Codel até outubro de 2009, quando Kentaro assumiu o cargo. Barbosa demitiu Viecili sem explicar o motivo.
Os depoimentos prestados pelos agentes no final do ano passado fazem parte de inquérito civil instaurado ainda em 2009 pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público a partir de denúncia anônima sobre supostas irregularidades na contratação da MM. Além da reunião, outros elementos atestariam que a empresa baiana teria tido tratamento privilegiado.
Um dos agentes revelou que na reunião ''foi discutida a provável instalação da empresa (MM) em Londrina e a participação da mesma em licitações de limpeza pública e mais especificamente na varrição da vias públicas''. A orientação de Kentaro, disse ele, era para que ''dessem todo o apoio para o pessoal da Bahia''. O mesmo agente afirmou aos promotores que ''na oportunidade, Kentaro, falando em nome do prefeito, disse que fosse dada toda a atenção a empresa''. Cópias de contratos dos serviços de limpeza pública e detalhes sobre os serviços teriam sido repassados para Paiva.
Viecili foi ouvido ontem e confirmou a reunião. Ele declarou que forneceu informações sobre questões econômicas da cidade e percebeu que ''o representante da MM estava interessado em obter informações sobre coleta, capina, roçagem''. Segundo Viecili, ''Kentaro acionou alguns funcionários da CMTU para que prestassem as informações solicitadas'' por Raimundo Paiva.
Logo depois que Barbosa assumiu o cargo, a MM foi contratada emergencialmente, em 14 de julho, para fazer a varrição das ruas ao custo de R$ 2,8 milhões, por seis meses. Outras empresas apresentaram propostas, mas o preço da MM foi o mais baixo. Em janeiro do ano seguinte, assumiu a capina e roçagem, também emergencialmente, no lugar da Xapuri, cujo contrato com a CMTU é alvo de investigação do MP. E, em seguida, foi contratada para fazer a coleta do lixo domiciliar e vem prestado o serviço desde então.
Kentaro não foi localizado ontem. Ele está em viagem ao exterior; o prefeito não foi encontrado no início da noite de ontem; e Raimundo Paiva não estava na sede da MM em Londrina. A informação é de que ele estava na Bahia, mas lá também não foi encontrado.


