Contrato com Raytheon foi fechado ontem
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segunda-feira, 28 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
O contrato do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), com custo inicial estimado em US$ 1,4 bilhão, está efetivado desde ontem, informou a empresa norte-americana Raytheon Company, responsável pelo projeto. Foram concluídas, segundo a Raytheon, as cartas de crédito necessárias para liberação do financiamento destinado ao Sivam. Escolhida pelo Ministério da Aeronáutica para executar o programa, a empresa vai instalar na Região Norte um sofisticado conjunto de radares fixos e móveis.
A maior parte do empréstimo será feito pelo United States Export Import Bank (banco de incentivo à exportação dos Estados Unidos). O AB Svensk Exportkredit (mesmo tipo de instituição, da Suécia), a própria Raytheon, além de um grupo de fornecedores do programa, completarão a linha de crédito. Com a verba disponível, a Raytheon pretende começar agora a trabalhar formalmente na implantação do Sivam.
Iniciado em 1993 - quando o então presidente Itamar Franco assinou a dispensa de licitação sob argumento de proteção a informações de segurança nacional -, o Sivam foi alvo, no final de 1995, de denúncias que provocaram a demissão do ministro da Aeronáutica, Mauro Gandra, e do chefe do cerimonial do Palácio do Planalto, embaixador Júlio César Gomes dos Santos. O escândalo acabaria derrubando também, mais tarde, o presidente do Incra, Francisco Graziano.
A crise no governo começou quando foram divulgadas gravações de conversas telefônicas do embaixador Júlio César com representante da Raytheon no Brasil, José Afonso Assumpção, dono da Líder Taxi Aéreo. As gravações revelaram que José Afonso pedia ajuda a Júlio César, nomeado recentemente para cargo diplomático em Roma, para aprovar rapidamente o projeto no Senado.
As fitas mostraram ainda que o embaixador viajava em aviões da Líder para o Exterior e que o ministro Gandra havia passado dois dias na casa de José Afonso, em Belo Horizonte. Considerado no governo o responsável pelo grampo - cujo autor nunca foi identificado -, Francisco Graziano também acabou perdendo o cargo. Depois do escândalo, o projeto Sivam demorou a ser aprovado no Senado e passou por auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU).
Com o Sivam - cujos sensores estarão conectados a centros de coordenação regionais -, o governo sustenta que terá condições de aperfeiçoar a segurança aérea e o controle de fronteiras na Região Norte, além de passar a ter dados hoje não disponíveis sobre a Amazônia.


