Os argumentos dos deputados que são contra a CPI da Corrupção vão desde a obrigação de apoiar o governo até a falta de objeto específico para investigação. Luciano Pizzatto (PFL), por exemplo, declarou à Folha que é contra porque tem que ser coerente com sua posição de vice-líder do governo.
‘‘A corrupção deve ser investigada, mas através dos meios tradicionais, como Ministério Público e Polícia Federal. Uma CPI funciona para levantar um processo quando se tem fim específico, como o caso do Narcotráfico’’, alegou.
O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB) – que também foi vice-líder do presidente Fernando Henrique Cardoso na Câmara – disse que não apóia a CPI nos termos em que foi proposta. ‘‘Sou a favor de uma CPI para investigar o Jader Barbalho e o ACM (Antônio Carlos Magalhães). Os outros motivos não me interessam’’.
Hauly disse ainda que ‘‘o MP já está atrás do Eduardo Jorge e não conseguiu nada ainda’’.
Abelardo Lupion (PFL) recorre à cautela, e só decide na próxima semana. ‘‘Sou amigo do ACM e só vou assinar se ele me pedir. Já avisei os líderes que é essa minha posição’’, resumiu.
Para José Janene, presidente do diretório estadual do PPB no Paraná, a CPI poderá provocar uma crise econômica no País que não interessa a ninguém. ‘‘Essa CPI nasceu da troca de acusações do ACM com o Jader, ou seja, é estritamente política’’, disse.
Janene ironizou a posição do PT, que batalha pela instalação CPI no Congresso mas estaria fugindo do assunto em São Paulo, cidade administrada pela petista Marta Suplicy. ‘‘Lá (em São Paulo) eles não querem a CPI do lixo porque atrapalharia o governo da Marta. Mas em Brasília o discurso é diferente’’, disparou.
Dilceu Sperafico, também do PPB, concorda que uma CPI poderia paralisar o País. Para o deputado, a discussão em torno da comissão não passa de uma guerra pessoal entre ‘‘dois caciques’’, referindo-se a Jader e ACM.
Sperafico defende que as denúncias sejam apuradas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, para que depois a Câmara assuma a responsabilidade de cassar os culpados. ‘‘Nós já trabalhamos dessa forma quando ficaram comprovados os casos de corrupção do ex-deputado Hildebrando Pascoal que foi cassado e hoje está preso’’, lembrou. (Gilmar Agassi, M.D. e L.H.)

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