O arquivamento da denúncia e do julgamento do prefeito cassado foi interpretado como um recuo pelos vereadores que se posicionaram contrários à decisão. Roberto Kanashiro (PSDB) chegou a defender em plenário que a Câmara cumprisse seu papel dando prosseguimento às investigações.
‘‘O que nos causa estranheza é que, mesmo com a cassação, as denúncias não estão anuladas. A parte jurídica pertence a outra esfera’’, defendeu o vereador, sem conseguir convencer a maioria dos colegas. ‘‘Se a questão foi trazida à Câmara, então deveríamos levar o trabalho avante, até porque a primeira decisão está sub judice’’, discursou Kanashiro.
Alguns vereadores que se manifestaram favoráveis ao julgamento na sessão da última quinta-feira, quando foi marcado o julgamento, ontem tiveram outra interpretação. Célio Guergoletto (PMDB) disse que votou pelo arquivamento para ‘‘não tripudiar sobre Belinati’’. ‘‘Não quero fazer papel de palhaço’’, afirmou.
Carlos Kita (PSDB), que também havia se manifestado a favor da votação do relatório e ontem voltou atrás, fez uma análise jurídica, alegando perda do objeto. ‘‘Belinati não detém mandato desde junho’’, argumentou. Adalberto Pereira (PFL), outro que mudou de voto, comungou da opinião sobre perda de objeto. Mas aproveitou para cobrar Belinati. ‘‘Com relação às ameaças, se ele (Belinati) tem algo contra mim, que encaminhe à Justiça’’, desafiou.
Tercílio Turini (PSDB) e Elza Correia (PMDB), que não participaram da sessão por estarem sob suspeição – eles ingressaram na Justiça com ação questionando a venda das ações da Sercomtel – foram os mais críticos. ‘‘Deve haver tantos julgamentos quanto forem necessários’’, afirmou o tucano.
Elza Correia fez críticas pesadas ao procurador da Casa, João dos Santos Gomes Filho, a quem creditou parte do resultado. ‘‘Ele nos fez uma orientação confusa, com idas e vindas. Foi uma salada’’, afirmou. Ela disse que com o arquivamento da CP, o Legislativo mostrou posição de recuo. ‘‘Sempre ficará a dúvida de que o resultado foi em função das ameças feitas por Belinati.’’
Com a suspeição de Elza e Turini, a Câmara convocou os suplentes Francisco Roberto (PT) e Gerson Araújo (PSDB), respectivamente. Araújo se declarou impedido por ser candidato a vice na chapa de Luiz Carlos Hauly (PSDB) e não compareceu. O Legislativo teve de chamar Lourival Germano (PHS). Outro suplente que participou da votação foi Carlos Pinheiro (PDT), no lugar de José Belinati (PL), irmão do prefeito cassado.

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