Leandro Donatti
De Curitiba
Nos três dias em que ficou no comando do Palácio Iguaçu, o presidente da Assembléia Legislativa Aníbal Khury (PFL), ocupou-se da briga com o Movimento Sem Terra (MST), cujos membros estão acampados em frente ao Palácio Iguaçu. No sábado e no domingo, Aníbal não tomou nenhuma decisão importante. Ontem, nas poucas horas em que ficou de fato dirigindo o governo - ele chegou ao palácio por volta das 8 horas e cumpria expediente até o início da noite - Aníbal teve uma atuação polêmica em relação aos sem-terra. (leia em Geral, na página 6).
Nos momentos de menos tensão, o deputado despachou com o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho. Aníbal deixou a sua assinatura como governador em exercício em pelo menos 40 processos, 25 deles transformando em lei projetos de utilidade pública aprovados pela própria Assembléia.
O café da manhã, que reúne diariamente as principais autoridades do Estado na residência do deputado no Bairro Batel em Curitiba, não pôde se prolongar. Aníbal saiu cedo para o gabinete do governador Jaime Lerner (PFL), que esteve em viagem à Argentina até ontem à noite. ‘‘Não estava nervoso’’, contou a mulher, Dona Niva. Para o deputado, foi mais uma interinidade. Durante a sua carreira política, assumiu o governo do Paraná sete vezes, computava na semana passada, quando soube que assumiria.
De ‘‘alegre e descontraído’’, como prometia, seu governo não foi nada. A pressão com os sem-terra foi a marca de sua passagem. O presidente da Assembléia acionou a milícia do Estado para demonstrar força. A Polícia Militar foi convocada logo pela manhã pelo secretário de Segurança, Cândido Martins Oliveira, por determinação expressa de Aníbal. O deputado concedeu três coletivas. Uma para anunciar a medida judicial para a desocupação do Centro Cívico. Outra, para comentar o protocolo firmado entre governo e uma empresa que recicla pneus usados.
E a última, no fim da tarde, para divulgar sentença da 4ª Vara da Fazenda, favorável à desocupação dos sem-terra, e ao teor do acordo costurado com os líderes, de trégua na queda-de-braço entre o governo e o MST. No comando do governo, Aníbal não se reprimiu. Escancarou suas opiniões e pontos de vista. Pela manhã, criticou a passividade do governo Lerner com os sem-terra. Chamou os sem-terra de guerrilheiros e disse que eles adotam ‘‘a técnica forte apache’’. Ao meio-dia, Aníbal chamava o governador de ‘‘estadista’’, como apoio um apoio expresso à política de industrialização. No início da noite, ele acionava a modéstia e remetia ao governador a responsabilidade pela pacificação dos sem-terra.
Na interinidade, o deputado não descuidou de seu território. Do palácio, dava as ordens na Assembléia. Os seguranças do Poder Legislativo estavam orientados a controlar o entra e sai de carros do portão principal da Assembléia e a movimentação do MST nas redondezas. Aníbal aproveitou o momento ainda para estreitar relações políticas, recentemente abaladas. O deputado convocou o prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi (PFL) e o secretário municipal de Governo, Marcos Isfer, para um conversa pela manhã no Palácio.

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