Tal qual um Dom Quixote ultralúcido, o jornalista Miral Pereira dos Santos, 68 anos, decidiu há quase 20 anos empreender cruzadas Brasil afora inspirado não por histórias ficcionais como o cavaleiro espanhol criado por Miguel de Cervantes mas pela realidade, gestora de toda a sorte de injustiças no país. Desde então, lá se vão sete jornadas completadas e a oitava - contra a corrupção - está em pleno progresso.
Esta semana, ele está em Londrina mas garante que vai percorrer todos os estados brasileiros divulgando mensagens para fazer seus ouvintes pensarem, e agirem, em benefício de um país melhor e mais justo. Ele iniciou seu movimento em 1992, quando o governo Collor não concedeu reajuste legal de 147% aos aposentados. Sua missão atual é lutar contra a corrupção. ''A população, de um modo geral, está despolitizada. Por isso, precisamos despertar a consciência crítica nas pessoas para que todos fiquem mais atentos'', fala, lembrando de pesquisa da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) que apontou que R$ 70 bilhões são desviados todo ano do povo para o bolso de corruptos.
O cavaleiro brasileiro não tem um escudeiro - como o Sancho Pança que acompanha Quixote - mas não deixa nunca de querer a verdade, por mais inconveniente que possa parecer. ''O mal cobrador faz o mal pagador'', ensina. E nem pense em chamá-lo de insano: ''O velejador brasileiro Amir Klink diz que o pior naufrágio é não se lançar ao mar. Então, sigo esta coisa que me empurra para fazer o que faço''. Por isso, seja a pé, de carona, ônibus, avião ou barco, ele sempre chega onde se propõe a chegar.
E suas andanças Brasil afora já renderam um livro - ''Revoludicionário'' - com cerca de 100 verbetes diversos como ética, justiça e cidadania.

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