Contra Bolsonaro e PT, abaixo-assinado pede chapa 'Alcirina'
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quarta-feira, 03 de outubro de 2018
Rafael Fantin e Vitor Struck/Reportagem Local 
Eleitores criaram um abaixo-assinado no site change.org que pede aos candidatos Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (REDE) e Ciro Gomes (PDT) união na reta final da campanha contra a polarização entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), que segundo as últimas pesquisas estariam no segundo turno. De acordo com o último levantamento da Datafolha, os dois também lideram os índices de rejeição com mais de 40%. Até o fechamento desta edição, o abaixo-assinado tinha mais de 10 mil assinaturas.

"Tempos extraordinários demandam medidas extraordinárias. Hoje, o Brasil caminha para um cenário de segundo turno no qual ninguém sairá vencedor. No momento de crise em que vivemos, não podemos arriscar ter o Brasil refém de governos que irão ampliar ainda mais a divisão e polarização do país", afirma o manifesto, que sugere o candidato do PDT para encabeçar o movimento de centro com base nas pesquisas, mas ressalta que mais importante do que a escolha seria a união dos três candidatos.
O documento critica a corrupção dos governos petistas e posições de Bolsonaro que, segundo o manifesto, "ameaçam diretamente a já fragilizada democracia brasileira". Além disso, o abaixo-assinado diz que o "partido de Lula e Haddad" poupa o candidato do PSL das críticas, pois está interessado na continuidade da polarização no segundo turno.
Em seguida, o manifesto apela para unificação das chapas de Alckmin, Marina e Ciro. "Por isso, fazemos um apelo para que os senhores e a senhora unifiquem os seus votos em uma única candidatura, sinalizando aos seus eleitores que votem no candidato escolhido. Pela conjuntura atual, sugerimos que esse candidato seja Ciro Gomes (PDT), o candidato dentre vocês que está mais bem colocado na pesquisa, conta com menor rejeição e ganha tanto de Bolsonaro quanto Haddad com folga. Em troca, pedimos que Ciro incorpore pontos das propostas de Marina Silva (REDE) e Geraldo Alckmin (PSDB), garantindo também que ambos os partidos tenham uma posição de destaque em seu governo. No entanto, entendemos que, mais importante do que quem será o candidato, é a união dos senhores e da senhora na reta final das eleições", afirma os autores do abaixo-assinado.
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ANÁLISE
Para o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina Clodomiro Bannwart, esta manifestação ocorre por conta de "desespero bastante significativo de uma parcela da sociedade", com a polarização apresentada nas pesquisas. Além disso, Bannwart avalia que parte desta insatisfação acontece em decorrência de "várias tentativas de se criar uma terceira via que foram fracassadas", pondera.
"No meu ponto de vista é uma polaridade que foi cunhada nos últimos 20 anos e esta polaridade agora foi altamente radicalizada na medida em que o PSDB perdeu o posto de polo desta oposição contra o PT."
Para ele o atual cenário contém uma "população descrente com o sistema político, a Lava Jato há quatro anos desmantelando este sistema político por dentro e a sensação do eleitor de que isso não funciona", afirma.
Bannwart avalia que é possível considerar a ação como "um cansaço e um desânimo" desta parcela do eleitorado com uma "dicotomia ideológica em detrimento da salvação das mínimas condições de pensar o futuro do Brasil". Outro elemento destacado pelo professor é o receio dos eleitores contrários à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) com a estabilidade das instituições, ao mesmo tempo em que existe o medo da falência econômica do País por parte dos eleitores anti PT.
"Existe um certo temor pela fragilidade da própria democracia, coisa que nós não vimos na polaridade PT/PSDB no passado. De um lado esse medo que tenhamos a intensificação de posturas autoritárias, por outro lado estaríamos caminhando para o 5º mandato do PT e que já sabemos o que aconteceu na história", avalia.
LEGALIDADE
Já do ponto de vista legal Bannwart afirma que não vê impedimentos para que o objetivo do abaixo-assinado se concretize.
"Eu não consegui avaliar aqui do ponto de vista da Legislação eleitoral, mas até onde eu vejo não existe um impedimento porque seriam duas desistências em benefício de uma terceira. Você não está registrando um novo candidato, porque também não existe mais prazo para isso. Você tem nos 45 do segundo tempo uma tentativa de achar uma alternativa. Eu acho válido porque é um processo de busca e conquista do poder", afirma.


