Contra agência reguladora, Requião ameaça bancada do PMDB
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segunda-feira, 01 de agosto de 2011
Catarina Scortecci <br>Equipe da Folha 
Curitiba - O senador Roberto Requião (PMDB) ameaçou ontem os peemedebistas que, na Assembleia Legislativa, votarem a favor do projeto de lei que amplia os poderes da agência reguladora de serviços públicos delegados. De autoria do governo do Estado, a proposta tem sido interpretada pela bancada do PT como o início de um processo de privatização de empresas como Sanepar e Copel. Ontem, em seu Twitter, Requião cobrou a bancada do PMDB a votar contra a medida, que deve entrar em primeiro turno de votação no plenário da Casa na tarde de hoje, um dia depois do início dos trabalhos após o recesso parlamentar.
''A rigor nosso PMDB não deve mais oferecer legenda para reeleição para parlamentares que votarem a favor da Agência Privatizadora'', escreveu Requião. ''Para mim é incompreensível a passividade aderente de meus velhos e queridos companheiros parlamentares do PMDB. Onde fica o espírito público?'', continuou ele.
Desde o início do ano, a bancada do PMDB está dividida no apoio ao atual governo do Estado e preferiu não adotar uma posição oficial na Casa, onde apenas a bancada do PT assumiu oposição declarada a Beto Richa (PSDB). Questionado sobre o que o senador havia publicado na internet, o deputado estadual Waldyr Pugliesi, presidente estadual do PMDB, disse que ''Requião tem razão'', mas, na prática, admitiu a dificuldade de uma eventual punição aos correligionários. ''A posição do Requião é uma posição de coerência com aquilo que o PMDB tem em seu programa, de manutenção do controle público nas empresas estratégicas. É um pensamento que tem resguardo no programa partidário. Mas eu não tenho certeza se é um pensamento majoritário dentro da bancada do PMDB'', disse Pugliesi.
A bancada aliada, contudo, nega qualquer intenção de privatizar estatais. Hoje, o secretário de Estado do Planejamento, Cassio Taniguchi, vai pessoalmente explicar aos parlamentares do que se trata a proposta. A tese de que a modificação na agência reguladora poderia representar uma privatização tem sido capitaneada pela bancada do PT. Os petistas questionam os motivos que levam o governo do Estado a querer agora incluir serviços como saneamento, por exemplo, no leque de atribuições da agência reguladora, que foi criada em 2002, pelo então governador do Estado Jaime Lerner. Para eles, não há necessidade de ''regular'' serviços já controlados pelo sistema público.


