BRASÍLIA - A operação realizada pela Lava Jato em Curitiba para receber no Brasil R$ 2,5 bilhões da Petrobras, fruto de um acordo entre a estatal e os EUA, levantou suspeitas entre autoridades que analisam o caso em Brasília e temor de prejuízo ao poder público. Depositado em uma “conta de trânsito” na Caixa Econômica Federal em 30 de janeiro, o montante, equivalente a US$ 682,6 milhões, vem sofrendo oscilações com a variação cambial. A única correção é dada pela Selic, a taxa básica de juros da economia que está em 6,5% ao ano. De 30 de janeiro, quando o dinheiro entrou na conta, até sexta (14), houve desvalorização de R$ 22,4 milhões do valor principal. A estimativa computa a diferença entre a alta do dólar no período e a remuneração dada pelo banco. Ou seja, se o acordo fosse desfeito agora, além de devolver o montante inicial, o Brasil teria de arcar com a diferença.

A volatilidade preocupou a procuradora-geral, Raquel Dodge. Em duas manifestações recentes ao Supremo Tribunal Federal, ela disse que fez alertas sobre a rentabilidade da conta na Caixa, destacando a “necessidade de preservar, ao menos, a paridade cambial com o montante negociado”. A própria Lava Jato aventou, em nota, que a indefinição sobre o fundo “poderá fazer com que a Petrobras tenha a obrigação de pagar os valores integralmente nos EUA”.

A força-tarefa da Lava Jato diz que o dinheiro das multas nos EUA só veio ao Brasil por causa da atuação da Procuradoria no combate à corrupção e que o acordo com a Petrobras foi celebrado para satisfazer exigências americanas. Segundo a Lava Jato, a PGR foi avisada da negociação com a Petrobras –que não se manifestou sobre as reuniões com a PGR, que foram confidenciais. O diretor jurídico da Caixa, Gryecos Loureiro, disse que o banco só aceitou o depósito porque houve decisão judicial. Procurada, a Justiça Federal no Paraná não comentou.

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