O impacto do mínimo sobre as contas públicas também não pode ser desconsiderado. Pelos cálculos do economista, a cada R$ 1 de elevação do mínimo o governo federal arca com uma despesa adicional de R$ 286 milhões. Portanto, para sair dos R$ 540 inicialmente propostos pelo Planalto para R$ 560, como defendem algumas centrais sindicais e partidos de oposição, o impacto para os cofres públicos seria significativo. ''Uma elevação de R$ 20 do mínimo pode custar quase R$ 6 bilhões'', diz.
Para que o governo consiga erradicar a pobreza extrema no País, objetivo central traçado pela presidente Dilma Rousseff, o mais adequado, na opinião de Manuseto Almeida, é reajustar o valor dos benefícios concedidos por programas como o Bolsa Família, que tem impacto direto sobre os mais pobres e não sobrecarrega as despesas da Previdência Social, como acontece no caso das elevações do salário mínimo. ''O efeito é maior e sai mais barato'', diz.
A razão para isso é simples. Apenas 15% dos trabalhadores formais e informais que ganham salário mínimo pertencem aos 20% mais pobres do País. E apesar do mínimo funcionar como piso dos benefícios pagos pela Previdência, apenas 15% dos idosos vivem em famílias pobres, enquanto 60% das crianças vivem nessas famílias.
Para a fonte da equipe econômica que falou hoje com a reportagem, se o salário mínimo subir mais do que está previsto ficará mais difícil para a equipe econômica fechar suas contas em 2011. Afinal, um aumento maior do piso do País elevará as despesas da Previdência, demandando um corte maior em outras áreas para que a meta fiscal de economizar cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) seja cumprida. ''O corte, que já está complicado de se fazer e ainda tem sua viabilidade questionada pelo mercado financeiro, ficará ainda mais difícil'', afirmou a fonte.
A visão do governo é que, a despeito de perdas ou ganhos de curto prazo, a política atual do salário mínimo é saudável e sua mudança, neste momento em que o reajuste é menor, seria inconsistente, esgarçando o acordo fechado com as centrais sindicais ainda no governo Lula. A avaliação é de que o sistema não tem condições de arcar com uma regra que quando a economia cresce há aumento real e quando não cresce, também há aumento real, pressionando as contas públicas e também quem paga os salários. (A.E)

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