Contas fantasmas derrubam superintendente do Banestado
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terça-feira, 16 de janeiro de 2001
Cristiane Oya De Londrina 
O superintendente regional do Banestado em Londrina, José Collete, foi demitido sexta-feira depois que o grupo Itaú-Banestado concluiu uma auditoria nas 32 contas fantasmas abertas das agências Centro e Tiradentes. Collete teria sido responsabilizado pelas irregularidades. Segundo investigações do Ministério Público (MP) e da Polícia Federal, essas contas movimentaram, somente de maio de 98 a janeiro de 99, R$ 150 milhões num amplo esquema de lavagem de dinheiro.
Ontem, Collete falou pela primeira vez com a imprensa sobre o caso. Segundo ele que ocupou o cargo durante três anos e meio a auditoria não apontou benefícios pessoais na manutenção das contas, apenas revelou que elas foram abertas em desacordo com os procedimentos internos. A principal exigência era que os documentos teriam que ser checados. Mas o Gabriel Nunes Pires (ex-diretor de operações) pediu para que as contas fossem abertas. Eu sou o que menos culpa tem nisso aí e sou eu quem está pagando.
Collete alegou que toda a diretoria do Banestado tinha conhecimento das irregularidades. Se houve descumprimento, não foi somente da superintendência, mas também da auditoria, da divisão de controle e da divisão jurídica. Todos sabiam da existência dessas contas, afirmou. Ainda segundo ele, Pires disse que as contas deveriam ser abertas para atender a interesses do banco. Fomos contra a abertura, mas houve a determinação do diretor.
De acordo com as investigações do MP, as contas teriam sido movimentadas pelo empresário-doleiro Alberto Youssef, dono de agência de câmbio na cidade. Eu conheci o Beto Youssef através do Arthur Ennio Frederico Júnior (ex-gerente da Banestado Corretora) e do Wilson Maeda (ex-gerente da Agência Centro do Banestado). Fui apresentado assim como são apresentados clientes, alegou.
O ex-superintendente disse também que não acompanhava as operações com as contas fantasmas. Eu não sabia o que ocorria em cada agência detalhadamente. Cuidava mais da atuação da regional em termos de metas, disse. Em 26 anos de banco, eu jamais obtive benefícios. Se eu tivesse comunicado por escrito, isso não tinha acontecido, não foi somente minha falha. Se houve, foi dos quatro órgãos. Eu vou lavar a minha honra custe o que custar.
O diretor de Relações Institucionais do grupo Itaú-Banestado, Aldous Galletti, apenas confirmou a demissão de Collete. Temos na empresa um código de ética que nos impede de tornar público o termo da admissão e demissão de funcionários. Galleti também não revelou o que foi apurado na auditoria do Banestado. Informações não confirmadas dão conta de que a gerente da agência do Banestado em Cambé, Maria Regina Bosqui, também teria sido demitida.


