O vereador Sidney de Souza (PTB) protocolou ontem um pedido de informações endereçado ao presidente da Sercomtel, João Rezende. O documento, que será levado para votação na sessão de terça-feira da Câmara de Londrina, tem 45 perguntas que solicitam informações desde a estabilidade dos servidores da empresa até questões consideradas controversas nos balanços da telefônica.
''São muitas conversas, boatos, tanto sobre a Celular quanto da Fixa. Não temos nada de verdadeiro. Analisamos os balanços mas não estou convencido'', justificou Souza. ''As perguntas variam desde questões sobre a estabilidade dos servidores, possibilidade de reimplantar o PDV (Plano de Demissão Voluntária); uma análise jurídica da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações); se permite a venda para a Copel; as antecipações de lucro aos acionistas de mais de R$ 9 milhões (desde 2000), até informações sobre os balanços que não batem com declarações da diretoria da empresa, para que possamos ter um parâmetro de avaliação'', complementou. Segundo o petebista, os esclarecimentos da empresa servirão de base para o voto de vários vereadores no projeto que tramita na Casa e que prevê a revogação da lei que condiciona a venda da Sercomtel à realização de um plebiscito. ''Se demorar 15 dias e o projeto vier para a pauta, não me posiciono nem pelo sim, nem pelo não. Não pretendo votar o projeto enquanto não tiver essas informações.''
Souza salientou que deseja esclarecer, por exemplo, o pagamento de uma ''conta de R$ 30 milhões'' pela empresa. ''Observamos que no final de 2004, havia uma conta de R$ 30 milhões em compromissos. Essa conta não existe mais no balanço de 2005. Existe uma informação extra-oficial de que a dívida foi saldada por R$ 12 milhões. Temos que verificar.''
Apesar do projeto já aprovado em primeira discussão ter sido retirado de pauta por tempo indeterminado, o assunto tem tomado parte de todas as sessões ordinárias desde o início dos trabalhos legislativos, no dia 16 de fevereiro. Ontem o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações (Sinttel), Eugênio Kuczera, foi à Câmara fazer um apelo para que os vereadores ''reflitam'' sobre o projeto. ''Quero que os vereadores reflitam. Vamos levar essa discussão mais aprofundada. O objetivo é mobilizar os vereadores para que não precipitem a discussão. Empresa pública é possível. Bem administrada tende a crescer. Privatização não significa que não gera empregos, é a precarização do emprego'', assegurou.

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