Contas bancárias de ex-diretores da Urbs são desbloqueadas
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2003
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba O Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná determinou o desbloqueio das contas correntes ''alimentares'' do ex-presidente da Urbs (que gerencia o transporte coletivo de Curitiba) Fric Kerin e do ex-diretor de Transportes da empresa Euclides Rovani. Eles tiveram suas contas-salário bloqueadas desde que o Ministério Público (MP) vem investigando suas responsabilidades pela não aplicação de multas de trânsito contra empresas de ônibus gerenciadas pela Urbs.
A decisão foi determinada pela juíza da 3 Vara de Fazenda Pública de Curitiba, Elizabeth Nogueira Calmon de Passos, em cumprimento ao agravo regimental do TJ. Recentemente, o Tribunal de Justiça também determinou o desbloqueio dos bens de José Álvaro Twardowski, ex-diretor do Departamento de Trânsito Municipal (Diretran), também envolvido com o perdão das multas para as empresas de ônibus.
Kerin e Rovani alegaram motivo de ''sobrevivência'' para pedir o desbloqueio na Justiça. Seus bens continuam indisponíveis até agosto. Na ação, os ex-diretores argumentaram que precisavam das contas-salário para pagarem contas com alimentação, luz, água, telefone e impostos.
O vereador Adenival Gomes (PT) considerou um ''absurdo'' a decisão. Ele não entende como a Prefeitura de Curitiba não abriu um inquérito administrativo para apurar o grau de envolvimento de cada um deles como o ''desvio milionário de recursos provenientes das multas de trânsito''. Ele também não entende como essas pessoas estão recebendo normalmente seus salários.
A ''isenção'' das multas foi revelada em abril pelo agente de trânsito Aparecido Massaranduba de Almeida e por Gomes, que provocou a abertura de inquérito pelo Ministério Público do Paraná.
Segundo eles, o ''esquema'' consistiria em desviar para outro código e não cobrar as multas de trânsito que deveriam ser dadas aos ônibus das empresas gerenciadas pela Urbs.
A Folha não conseguiu contato a prefeitura de Curitiba e nem com o ex-presidente e o ex-diretor da Urbs para repercutir a decisão do Tribunal de Justiça.


