O vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Airton Faleiro, afirmou ontem, em Belém, que a Polícia Civil não pode descartar a possibilidade de o sindicalista Ademir Alfeu Federicc, assassinado na madrugada de sábado, em Altamira (PA), ter sido vítima de crime de encomenda. ''As denúncias que ele vinha fazendo contra a roubalheira na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), construção de hidrelétricas na região e roubo de carros apontam para esse caminho'', diz Faleiro.

O dirigente da Contag não aceita que o delegado da Polícia Civil de Altamira, Carlito Martinez, queira caracterizar o crime como tentativa de assalto seguida de morte. ''Os indícios de coisa armada são fortes'', resumiu. O deputado Zé Geraldo (PT) informou que pedirá ao comando da Polícia Civil a retirada de Martinez do caso. ''Ele está conduzindo as investigações com parcialidade'', acusou. O delegado rebateu que tem feito o que pode para esclarecer o crime. ''Estamos com carência de viaturas, peritos e investigadores'', disse.

Já o advogado do ex-gerente-geral do Banpará em Belém Marcílio Guerreiro de Figueiredo, Osvaldo Serrão, afirmou que entrará com um pedido de habeas-corpus no STF para que o cliente tenha garantido o ''direito constitucional de ficar em silêncio'', durante o depoimento na comissão do Conselho de Ética que investiga Jader Barbalho. Serrão disse que ninguém pode obrigar Figueiredo a falar, senão em juízo. Até ontem, segundo o advogado, o ex-gerente não havia sido notificado sobre o testemunho em Brasília.

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