O presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, disse ontem em Londrina que o controle sobre contas fantasmas ou esquema de lavagem de dinheiro foi definido em lei há menos de dois anos e regulamentado apenas no ano passado pelo Banco Central. Por causa disso, casos como as 30 contas fantasmas abertas na agência central do Banestado, em Londrina, não assustam. ‘‘Não é o caso de assustar, mas saber desde quando o País se preocupa com isso’’, declarou.
Stephanes esteve na região para um encontro com gerentes da instituição. Segundo ele, hoje o banco tem obrigação de comunicar ao Banco Central sempre que suspeite de alguma operação irregular na conta de seus clientes – como movimentação de valores elevados. Isso não ocorria antes. ‘‘É uma questão (contas fantasmas) que no passado existia em muitos bancos mas não é possível saber a dimensão. Porque não dá para imaginar que um caixa vá perguntar a origem do dinheiro depositado na conta’’, justificou.
Ele reafirmou que o Banestado está aberto a fornecer qualquer tipo de documentação, tanto ao Ministério Público quanto a Polícia Federal – que investigam esquema de lavagem de dinheiro na região. Informou ainda que abriu auditoria interna para apurar a existência nas contas em Londrina e que hoje apenas uma conta estaria sob suspeição. Essa conta, segundo apurou a Folha, seria a da empresa Freitas & Dutra, que utilizou a foto um ‘‘laranja’’ de Florestópolis e serviu para lavar recursos desviados da Prefeitura de Londrina.
Reinhold Stephanes admitiu alguns ‘‘problemas’’ surgiram no início do ano quando o MP solitou ao Banestado documentação relativa às contas fantasmas – os promotores de Justiça tiveram dificuldades para obter os documentos do banco e chegaram a tomar depoimento de gerentes da agência central. Segundo ele, os problemas surgiram porque algumas das informações são de domínio da direção do banco, e não da gerência local. ‘‘Mas nós demos toda a cobertura possível e eu mesmo cheguei a ligar pessoalmente para os promotores’’, afirmou.
Sobre a operação envolvendo a Banestado Corretora e a Sercomtel S.A., também investigada em processo administrativo no MP e em uma Comissão Processante aberta na Câmara de Londrina, Stephanes disse que não viu qualquer irregularidade. Durante o processo de venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel, a estatal pagou diretamente ao Banestado R$ 17,3 milhões referentes a uma venda antecipada de ações. ‘‘A operação, à época, foi normal e legal. Se nos pedirem, vamos fornecer toda a documentação’’.
O presidente do Banestado acredita que a divulgação da existência de contas fantasmas no Banestado não irá atrapalhar o processo de privatição do banco, já em fase de execução. O banco já passou por um processo de saneamento e o edital de pré-qualificação dos interessados já foi publicado. Se tudo ocorrer sem problemas, a privatização deve ocorrer entre outubro e novembro desse ano – se possível, depois da privatização do Banespa.

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