O presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina, José Francisco da Silva, confirmou ontem a demissão da gerente da agência do Banestado na Avenida Inglaterra, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), Maria Regina Fazan Bosqui. A demissão teria sido motivada pelo levantamento feito pelo grupo Itaú/Banestado sobre as 32 contas fantasmas, que culminou na demissão do superintendente regional do Banestado em Londrina, José Collete.
‘‘Ela foi oficialmente demitida do banco na sexta-feira, dia 13, e no meio das férias. Tem outra demissão enquadrada na mesma situação dela, a do superintendente José Collete. O banco não vai colocar isso como motivo da demissão, mas está claro que foi devido às contas fantasmas’’, justificou Silva.
A gerente não confirmou a demissão. ‘‘Só o banco pode confirmar, porque eu não recebi nada ainda’’. Questionada pela reportagem se tinha participação na abertura das contas fantasmas, Maria Regina respondeu: ‘‘Não, pelo contrário, eu estou sendo vítima dessa situação.’’
Maria Regina está indiciada na ação proposta na 4ª Vara Criminal pelo Ministério Público (MP) em dezembro do ano passado. Também estão citados na ação o empresário Alberto Youssef; o cunhado, Eroni Miguel Peres; o segurança, Antonio Carlos Neri Romero; o servidor público municipal João Edson Danzinger, o ‘‘João Boquinha’’, o ex-superintendente José Collete; o ex-gerente do Banestado, Wilson Maeda; o ex-diretor de operações do banco, Gabriel Pires Neto; e o ex-gerente da Banestado Corretora, Arthur Ennio Frederico Júnior. Todos são acusados de formação de quadrilha, falsidade ideológica, falsificação de documento público e lavagem de dinheiro.
Na ocasião, o juiz da 4ª Vara, Arquelau Araújo Ribas, determinou a prisão preventiva de Youssef, acusado de operar as contas-fantasmas no Banestado com dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina. O empresário chegou a ficar preso 17 dias e foi liberado mediante liminar do Tribunal de Justiça (TJ).
Maria Regina era responsável pela conta da empresa fantasma Freitas & Dutra, aberta com documentos falsos. Segundo as investigações do MP, a conta movimentou R$ 120 mil de uma licitação fraudulenta realizada na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). De maio de 98 a janeiro de 99, as 32 contas fantasmas movimentaram R$ 150 milhões.
A assessoria de imprensa do grupo Itaú/Banestado informou que a empresa não irá se manifestar sobre admissão e demissão de funcionários.

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