O procurador da República em Londrina, Mário Ferreira Leite, afirmou ontem que cerca de R$ 16 milhões foram lavados na conta da empresa fantasma ''Freitas & Dutra S/A'', na agência do Banestado de Londrina. O valor foi obtido pelo delegado da Polícia Federal Sandro Roberto Viana dos Santos, em cruzamento de informações bancárias.
Segundo o procurador, das 32 contas fantasmas abertas nas agências do Banestado, em Londrina, em 98, a investigação da ''Freitas & Dutra'' é a mais adiantada. ''Só falta saber os depositantes, a que título foram feitos os depósitos e a origem do dinheiro'', afirmou Leite, que deverá ajuizar uma nova ação criminal no início do ano que vem.
Em junho, o procurador propôs uma ação criminal pelo depósito de R$ 120 mil, desviados da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), também na conta da ''Freitas & Dutra'' - em que o doleiro Alberto Youssef é apontado como responsável. A ação está sendo analisada pelo juiz da Vara Criminal, Douglas Gonzales.
O procurador disse que o esquema de lavagem de todas as contas é idêntico. ''Alguém comprava dólar e pagava com cheque, que era depositado na conta fantasma. Uma pessoa ia ao caixa e trocava cheques da empresa de até R$ 17 mil, porque até esse valor não era preciso comunicar ao Banco Central'', relatou.
A lavagem de dinheiro desviado da prefeitura na conta da ''Freitas & Dutra'' também foi objeto de uma ação criminal ajuizada pelo Ministério Público Estadual - que apurou a lavagem de R$ 150 milhões em 30 contas do Banestado de maio de 98 a janeiro de 99. O advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho, suscitou o conflito de competência entre o Ministério Público Estadual e o Federal, situação que está sendo analisada no Supremo Tribunal de Justiça.
De acordo com as investigações, a conta da ''Freitas & Dutra'' foi aberta em nome de ''laranjas''. Leite disse que ainda não se sabe o número de envolvidos. ''A gente observa que tinha a participação ostensiva do banco, que envolvia a própria diretoria.''

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