Consultoria analisa viabilidade da estadualização da Sercomtel
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segunda-feira, 09 de julho de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Antes atrelada a manifestações públicas do governador Roberto Requião (PMDB) - durante a campanha pela reeleição, em outubro de 2006 - e do prefeito Nedson Micheleti (PT), a possibilidade de estadualização da Sercomtel agora está condicionada à análise de uma consultoria contratada pela Copel. O estudo, solicitado pela presidência da estatal em maio passado, vai apontar se o negócio com a telefônica londrinense é viável, ou não, sob os aspectos econômico e financeiro. Com isso, a resposta ao Município, prevista para este mês, pode ser adiada.
A informação havia sido confirmada por Nedson à FOLHA, semana passada, e ontem foi reforçada pela assessoria de imprensa do presidente da Copel, Rubens Ghilardi. Em 25 de abril deste ano, o Município repassou ao Estado, em assembléia de acionistas na Sercomtel, a proposta oficial de venda de 10% das ações à companhia. Se concretizada, a transação implicaria na inversão do atual comando acionário, que, desde 1998, é de 55% da Prefeitura, contra 45% da Copel. A oferta se baseou no estudo de viabilidade técnica, jurídica e econômica realizado por um grupo de trabalho da empresa de telefonia.
Conforme a assessoria, os encaminhamentos em torno da estadualização dependem não apenas do que os consultores dirão no estudo, mas também de uma consulta formulada à mesma época à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) - dessa vez, a respeito da legalidade da negociação. Paralelamente, a agência reguladora também analisa a possibilidade de fusão entre a Sercomtel Fixa e a Celular, conforme consulta protocolada em abril pelo comando da empresa.
A assessoria de Ghilardi minimizou os efeitos da consultoria e destacou que ''se trata de um procedimento de praxe dentro da Copel, uma espécie de cuidado redobrado; afinal, trata-se de empresa pública que deve prestar contas até mesmo à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica)''. O órgão admitiu que só depois das manifestações da Anatel e da consultoria é que será encaminhada a resposta à Prefeitura.
Para o prefeito Nedson - que disse ter sido informado da consultoria já em maio, pelo próprio Ghilardi -, a posição da estatal ''sinaliza prudência''. ''É uma proposta de bom senso, pois, se a Copel pensa em investir na Sercomtel, isso teria que dar a ela o retorno esperado'', afirmou. Conforme Nedson, contudo, o único pedido teria sido quanto a prazos para resposta. ''Como a Copel tem acionistas públicos e privados, creio que esse é mesmo o caminho. Só solicitei que os dessem uma resposta o mais rapidamente possível'', comentou.
Estimativas do chefe do Executivo municipal logo após a entrega da análise de viabilidade à Copel apontaram que seria necessário um investimento de pelo menos R$ 170 milhões da estatal, entre aporte financeiro e compra de 10% de ações. Pelos cálculos de Nedson, na ocasião, só a venda desse percentual deve render algo em torno de ''pouco menos de R$ 20 milhões'' ao Município - valores definidos com base nos últimos balanços patrimoniais da Copel.


