São Paulo - Estudo da consultora legislativa da Câmara Ana Tereza Sotero Duarte, de 2005 - quando os projetos de criação dos novos estados já estavam no Congresso -, apontava o problema e alertava para interesses políticos. Em um trecho, ela destacava: ''O que se observa nas entrelinhas de algumas proposições em tramitação é a ausência de fundamentos convincentes, o que leva ao entendimento de que algumas iniciativas podem embutir, na sua origem, discordâncias de grupos políticos e, mesmo, econômicos.''
O parecer foi taxativo sobre custos. ''Criar um novo Estado é pesado ônus para os cofres públicos, pelo menos nos primeiros anos.'' A consultora fez uma simulação sobre Gurguéia, Mato Grosso do Norte, Maranhão do Sul, São Francisco e Carajás. Com exceção de Mato Grosso do Norte, as demais unidades nasceriam ''na condição de mais pobres do Brasil'', em índice de desenvolvimento humano (IDH). ''Quanto aos rendimentos médios, o Estado do Gurguéia, se fosse criado hoje (em 2005), nasceria com uma renda per capita de R$ 71,92, ou seja, seria o Estado mais pobre do Brasil, seguido do São Francisco (R$ 77,93) e do Maranhão do Sul (R$ 85,48)'', alertou.
''O Brasil precisa de um estudo sério de revisão do seu território para que se tenham dados concretos apontando quais Estados podem ser criados e para não haver uso político e eleitoral da situação'', diz o deputado Paes Landim (PTB-PI), autor do pedido de criação do Estado do Gurguéia. ''A Constituição exige o aumento de deputados. Isso torna caríssima a criação de novas unidades'', admite.
Justificativa - A justificativa para os seis projetos é o fato de existirem regiões distantes das capitais, desassistidas e sem condições de desenvolvimento. A própria consultora da Câmara ressaltou a importância de uma revisão territorial em alguns Estados. ''Tal medida poderia contribuir para tornar mais viável a gestão política, econômica e social de uma imensa parte do território brasileiro'', destacou Ana Tereza.
O professor de geografia da USP André Roberto Martin tem outra visão. ''O argumento de que o tamanho do Estado dificulta a administração está equivocado. Se assim fosse, teríamos de dividir o Brasil em vários países'',diz. ''Basta olhar para a Europa, que está caminhando no sentido de união total.'' (R.B./AE)

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