A consultora da Área Externa do Banco Central Maria do Socorro Carvalho, em depoimento ontem à CPI dos Bancos, defendeu a operação de ajuda aos bancos Marka e FonteCindam, argumentando que a decisão da diretoria do BC foi importante para evitar uma crise num momento frágil da economia brasileira. Mas admitiu que não é praxe do Banco Central fechar socorros a bancos à noite, mas sim no horário do pregão. Segundo ela, foi uma operação ‘‘atípica’’.
De acordo com Maria do Socorro, Paulo Garbato, que respondia pelo superintendente-geral da Bolsa Mercantil e Futuros (BM&F), Dourival Rodrigues Alves, falou duas vezes com ela, no dia 14 de janeiro, sobre a operação de venda de dólares ao Banco Marka, preocupado com o impacto da inadimplência do banco sobre o mercado. Ela defendeu a legalidade da operação, mas não esclareceu as dúvidas dos senadores sobre a correspondência da BM&F ao BC, alertando sobre o risco sistêmico resultante da inadimplência do Marka junto à bolsa, num dia tenso da mudança do sistema de bandas cambiais. Os senadores queriam saber se a carta foi pedida pelo BC.
Segura e enfática na defesa da decisão do BC, Socorro informou que, no dia 14 daquele mês, por volta das 15 horas, recebeu uma ligação de seu superior, o então diretor de Assuntos Internacionais, Demosthenes Madureira de Pinho Neto, em que foi informada de que a diretoria do BC havia decidido vender contratos futuros de câmbio ao Marka e FonteCindam.

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