O consultor da Pesquisa Folha, professor Alexandre do Espírito Santo, disse ontem que garante ‘‘lisura completa’’ na coleta, checagem de dados e tabulação das consultas. ‘‘As digitações dos dados, inclusive, são feitas sob minha vigilância. As técnicas são aplicadas com rigor. Se há variações nos números e nas expectativas, não somos nós quem ditamos’’, explicou. Sobre as críticas do PT em relação à consulta publicada ontem, ele acredita que são ‘‘tendenciosas’’. ‘‘A crítica de quem perde é tendenciosa, assim como a de quem ganha. E isso ocorre desde que o mundo é mundo’’, completou.
O professor disse que a pesquisa é ‘‘robusta’’ estatisticamente, por considerar um universo médio de 600 eleitores. No primeiro turno, as pesquisas ouviram 800 eleitores em cada consulta, mas ele explicou que os números foram reduzidos para garantir mais rapidez no processamento dos dados. Ele garantiu que a redução não compromete os resultados. Por causa da diminuição do número de pessoas ouvidas, a margem de erro foi ampliada para quatro pontos. Na primeira rodada da consulta, a margem de erro era de 3,5 pontos.
Ainda de acordo com o consultor, para ouvir a opinião dos eleitores, a pesquisa contemplou todas as regiões do município – Centro, Norte, Sul, Leste e Oeste. Segundo ele, a amostragem é proporcional à população. O gerente de marketing da Folha, Álvaro Ferreira, que coordena a operação de coleta e processamento dos dados, com supervisão de Alexandre do Espírito Santo, disse ainda que os bairros das cinco regiões de Curitiba são sorteados e não se repetem em próximas pesquisas para garantir ‘‘variabilidade e representatividade da amostra’’. ‘‘Contemplamos a representatividade em todas as regiões’’, afirmou Ferreira.
Sobre o fato de o prefeito e candidato à reeleição Cassio Taniguchi (PFL) ter se mantido na frente durante as pesquisas do primeiro turno, ter baixado para a segunda posição logo após o segundo turno e agora retornar à dianteira, Espírito Santo analisou que isso reflete momentos de campanha, desgaste natural de candidatura e a recuperação de um espaço que o candidato já ocupou.
No primeiro turno, Cassio abocanhou 43,97% dos votos em Curitiba, enquanto na primeira Pesquisa Folha do segundo turno, realizada nos dias 4 e 5, ele recebeu 38,7% dos votos. ‘‘O eleitor pode reposicionar os votos, migrar para o outro candidato e depois voltar’’, analisou. Ele disse que isso vale para os dois concorrentes.
O consultor destacou ainda que 1,9% do do total de eleitores que não sabiam em quem votar na consulta do dia 5 se decidiu. Na primeira consulta, a pesquisa registrou 8,9% de indecisos e na segunda rodada, eles baixaram para 7%. Além disso, os votos em branco, que somavam 3,1% no início do mês caíram para 0,7%. Espírito Santo voltou a afirmar que a disputa pelos votos em Curitiba vai se manter ‘‘acirradíssima’’ até o próximo domingo, dia 29.
O professor disse ainda que pesquisas são resultados de amostragem. ‘‘E a penalidade que se tem por fazer amostra é a variação porque quando você não quer variação, faz um censo’’, concluiu.