O raciocínio é simples: as construtoras ajudam, e muito, a bancar as campanhas eleitorais porque têm interesse que o setor retome o desenvolvimento. Pelo menos é essa a justificativa de representantes de três das cinco construtoras que injetaram recursos nas contas de três dos candidatos a prefeito de Londrina, com exceção de Paulo Bernardo (PT). No total, as construtoras contribuíram com R$ 374 mil com Antonio Belinati (PDT), Luiz Carlos Hauly (PSDB) e José Tavares (PMDB).
Os representantes das construtoras foram ouvidos pela Folha e dizem que, em troca do auxílio financeiro, eles esperam o reaquecimento do setor. Todos negam interesse na política do ‘toma-lá-dá-ca’ e garantem que a lei 8.666, que regulamenta as licitações, impede favorecimento. ‘‘A lei é rígida e impede qualquer possibilidade de beneficiamento. Por isso, tenham colaborado ou não, as empresas têm a mesma chance de participar das licitações’’, endossa o vice-prefeito eleito, Alex Canziani (PTB).
A Protenge Engenharia e Projetos Ltda, cujo sócio-proprietário é sobrinho de Belinati, Dante Belinati Guazzi, doou R$ 34 mil à campanha do pedetista. ‘‘A construção civil tem no Belinati um realizador de obras, e obras para Londrina significam geração de empregos’’, argumenta. Ele diz que o setor é o que mais gera emprego imediato. ‘‘O setor sobrevive das obras, está parado e precisa de fôlego’’, completa. Ele reconhece que o fato de ser parente também pesou para a contribuição.’’
A Urbasa Construtora e Urbanizadora S.A. contribuiu com R$ 40 mil na campanha de Belinati. ‘‘Temos o compromisso de procurar o melhor e ele já provou ser um administrador punjante’’, alega o diretor-tesoureiro, Aloysio Araújo Moreira. ‘‘Mas é importante colocar que não existe nenhum compromisso de retorno.’’
Para o proprietário da LJP Construtora de Obras, Luiz José Baso, empresa que doou R$ 50 mil para José Tavares, além da perspectiva de reaquecimento da construção civil, sua amizade com o candidato motivou-o a fazer a contribuição.
Em relação à prestação de contas, o vice-prefeito eleito disse ontem que a previsão foi seguida com rigor. Sobre a diferença disparada que aparece no item produções audiovisuais do primeiro para o segundo turno, quando os programas de TV foram mais bem cuidados, com reforço de equipes de São Paulo e Curitiba, ele alega que o tempo foi o fator fundamental para reduzir custos. Canziani argumenta que no primeiro turno foram dois meses de programa, enquanto no segundo turno foram só 15 dias.
Ele também negou o uso da máquina do governo do Estado e disse que a ajuda financeira veio por parte dos empresários e de pessoas físicas. Canziani lembrou que precisou pôr dinheiro do bolso. ‘‘Não é de hoje que eu e minha família colocamos dinheiro. Desde que fui presidente do Centro Acadêmico, em 87’’, lembra.

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