Construção civil é o maior doador
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quinta-feira, 19 de dezembro de 1996
Patrícia Zanin<br> Da Redação 
A construção civil foi a maior financiadora da campanha eleitoral em Londrina e despejou R$ 374 mil nas contas de três dos quatro candidatos a prefeito. Com exceção de Paulo Bernardo (PT), que declarou só ter tido doações de pessoas físicas, os outros candidatos receberam as maiores contribuições para a campanha do setor da construção. Os números constam da prestação de contas, aprovada pela Justiça Eleitoral semana passada.
Antonio Belinati foi quem mais recebeu dinheiro das construtoras: R$ 174 mil. Ele também foi o que mais gastou na campanha: R$ 840 mil. A maior contribuição de pessoa jurídica da campanha de Belinati - R$ 100 mil - partiu da UTC Engenharia S.A. Já a Urbasa Construtora e Urbanizadora S.A. doou R$ 40 mil e a Protenge Engenharia e Projetos Ltda, R$ 34 mil. Luiz Carlos Hauly recebeu R$ 150 mil da LTP Construtora e Obras. A LJP Construtora de Obras Ltda contribuiu com R$ 50 mil na campanha de José Tavares.
Além de revelar o setor da construção civil como a maior financiadora da campanha, a prestação de contas mostrou outro dado curioso: Luiz Carlos Hauly e Paulo Bernardo declararam ter gasto bem menos do que previram. No caso de Bernardo, o limite era de R$ 413 mil, mas seus gastos ficaram 73,61% abaixo desse valor - R$ 109.412,86. As maiores despesas foram com serviços de terceiros (R$ 19.258,49), seguidas de produções audiovisuais (R$ 19.095,50). Em seguida aparecem eventos promocionais que consumiram R$ 13.270,00.
No caso de Hauly, a previsão de R$ 990 mil não atingiu, na prática, nem a metade desse valor, já que seus gastos declarados não chegam a R$ 500 mil. Além da doação de R$ 150 mil da LTP Construtora e Obras, os bancos Itaú e Banfort Banco Fortaleza S.A. contribuíram com R$ 80 mil (R$ 30 mil e R$ 50 mil, respectivamente). A maioria dos recursos veio de pessoas jurídicas - R$ 363.126,49. Pessoas físicas colaboraram com R$ 133.500,00.
O candidato declarou ter investido R$ 30 mil de recursos próprios. A prestação de contas de Hauly do primeiro e do segundo turno aparece junta no documento registrado no cartório eleitoral. Ele declarou ter gasto mais com materiais impressos - R$ 111.368,23, seguido do cachê de artistas e animadores (R$ 101.980,73). Em terceiro aparecem os gastos com propaganda e publicidade, o equivalente a quase R$ 95 mil.
Todos os candidatos declararam ter bancado parte da campanha. Belinati pôs do bolso R$ 146.650,00 no primeiro turno. Canziani contribuiu com R$ 139.136,02. Recursos próprios corresponderam a mais da metade dos gastos de Belinati no primeiro turno - R$ 285.786,00 - enquanto as contribuições de pessoas jurídicas somaram R$ 178.200,85 e de pessoas físicas R$ 13.200,00. No primeiro turno, Belinati declarou ter gasto R$ 477.186,87 e R$ 362.813,13 no segundo turno, o que corresponde a R$ 840 mil. O valor gasto foi igual ao previsto.
No primeiro turno, a maior parte das despesas de Belinati foi com pessoal - R$ 189.059,00 entre serviços de terceiros e honorários profissionais. As produções audiovisuais consumiram R$ 133.955,30.
Já no segundo turno, os gastos foram de R$ 362.814,00. Ele recebeu R$ 157.460,06 de pessoas físicas e R$ 148.000,00 de pessoas jurídicas. Entre as doações de pessoas físicas constam nomes de filiados e até de secretários nomeados por Belinati como Mário Stamm Júnior, que assumirá o IPPUL, José Righi de Oliveira, secretário nomeado de Obras, e José Roberto Fróes da Motta, que irá presidir a Caapsml. Cada um deles contribuiu com R$ 5 mil.
As maiores despesas foram com serviços de terceiros - R$ 106.800,00 - seguidas de aluguéis R$ 45.796,00 e despesas com pessoal R$ 15.300,00. O que chama a atenção é que as produções audiovisuais, mais bem cuidadas no segundo do que no primeiro turno, não tem destaque nos gastos.
José Tavares também declarou ter gasto exatamente o que previu: R$ 99.475,36. Ele declarou ter recebido R$ 72.500,00 de pessoas jurídicas, R$ 3 mil de pessoas físicas e contribuído ele próprio com R$ 23.975,36. Os maiores gastos de Tavares se relacionaram com serviços de terceiros - o equivalente a R$ 57.679,61.
Das cinco construtoras que fizeram doações às campanhas dos candidatos, apenas três aparecem na lista telefônica - Urbasa, Protenge e LJP. O Sindicato das Indústrias da Construção Civil de Londrina (Sinduscom) informou que apenas a Protenge e LJP são cadastradas no Sindicato. A Urbasa pertence ao setor da pavimentação. O Sinduscom não soube informar de onde são as construtoras UTC e LTP, as duas que mais contribuíram com a campanha.


